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O ano de 2024 começou e, com a taxa de juros e inflação em queda, atividade econômica desacelerando e desafios no panorama fiscal, é importante estarmos atentos.
O ano passado, mesmo marcado por diversas turbulências que vão desde crises bancárias até o conflito entre Israel e Hamas, teve como seu principal tema o movimento de desinflação ao redor do mundo, tornando-se o melhor ano para os mercados em geral desde 2019. O cenário pós-pandemia criou condições de mercado nunca vistas antes e, talvez por isso, o mercado errou muito em suas previsões.
Só nos Estados Unidos, a recessão prevista para 2023 não veio, a quebra do Silicon Valley Bank não gerou um novo 2008, a taxa de juros não atingiu a marca de 6% e, ao menos até o momento, a inflação não se mostrou tão persistente como esperado, fazendo o S&P 500 subir 24% e o Nasdaq 100 subir 53%.
No Brasil, o ano começou com muitas emoções com a mudança de governo, expectativa de dólar em R$6,00, fuga do capital de risco etc. No entanto, atravessamos esse período desafiador com boas notícias, como o arcabouço fiscal melhor que o esperado (não é o melhor dos mundos, mas é uma diretriz), a inflação menor que o consenso de mercado no início do ano e o forte crescimento da produtividade no setor agrícola. Juntando esses fatores à melhora do cenário internacional, o dólar caiu bastante perante o real e o Ibovespa bateu recordes subindo 22% ao longo do ano, mas não em dólar.
O investidor brasileiro pessoa física, infelizmente, não aproveitou o rali, já que este só entrou na bolsa no final do ano. Por outro lado, a bolsa contou com a entrada de muitos estrangeiros, já que somos considerados um bom destino para capital de risco, principalmente com a China estando menos atrativa por agora.
Já em 2024, o ano será marcado por importantes eventos políticos e econômicos no Brasil e no mundo, que terão impacto direto nas oportunidades de investimento. Esse ano, teremos eleições em mais de 50 países, continuamos com diversas tensões geopolíticas das quais vale destacar as guerras entre Rússia x Ucrânia e Israel x Hamas, mas não podemos esquecer da Guerra Tecnológica (nova Guerra Fria) entre EUA e China, que pode até vir a beneficiar o Brasil com o nearshoring.
No cenário nacional, o principal tema é o equilíbrio das contas, já que o governo busca equilibrar o orçamento através do aumento de receitas, sem corte de gastos. Esse método levanta dúvidas pelo fato das receitas serem difíceis de prever e, como é esperado que teremos déficit primário esse ano, embora a meta oficial do governo seja atingir o zero a zero, a tendência é que a relação dívida/PIB continue piorando, tornando o Brasil mais vulnerável a cenários externos.
No cenário internacional, é provável que vejamos o início da redução das taxas de juros nos países desenvolvidos, com destaque para os Estados Unidos. A questão é o porquê. Será que as taxas vão diminuir pelo “melhor comportamento” da inflação ou pela chegada de uma recessão? Ao menos o ano eleitoral não parece estar trazendo uma grande novidade aos mercados, pois, se o Trump não for inelegível, é muito provável que ele concorra com o presidente Biden pelo próximo mandato.
Por fim, a perspectiva para esse ano é positiva, mas com volatilidade. O crescimento global (PIB) para 2024 deve ser menor, mas ainda deve ter crescimento, e a redução das taxas de juros deve aumentar o apetite de risco do investidor. As ações em geral ainda estão sendo negociadas a valores descontados e têm espaço para crescer, especialmente depois da Selic voltar a valores de um dígito.
Outro setor que vale a pena acompanhar este ano é o mundo dos criptoativos. Com a expectativa dos primeiros lançamentos de ETFs de criptomoedas nos EUA, somados ao halving do Bitcoin, que devem acontecer ainda esse semestre, é bem provável que apresentem uma forte valorização.
O grande ponto que fica para o investidor é sempre ter um horizonte de longo prazo ao se investir em ativos de risco e nunca tentar acertar o timing do mercado, pois a principal fórmula vencedora no mercado financeiro chama-se tempo.