“Criamos fundos para qualquer cenário”: a carteira vencedora da Occam

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“Tudo deve ser feito tão simples quanto possível, embora não o mais simples”. A máxima, atribuída a Albert Einstein, estampa a página de apresentação da gestora de recursos Occam Brasil. O CIO da companhia, Duda Rocha, explicita o apreço pela simplicidade ao definir a estratégia de investimentos da asset como “busca por assimetrias”. 

Na prática, o gestor mencionou já ter encontrado oportunidades com potencial de variação de 50% para cima ou para baixo (em anos). Em palestra fechada ao público na sede dos escritórios da BRA e BS/ no Rio de Janeiro, Duda foi de pareceres macroeconômicos abrangentes, dos surtos de Covid-19 na China às eleições brasileiras, passando pelo futuro da Europa, para aplicações práticas no portfólio de ativos. 

Stock Picking

Do câmbio às ações, o setor de energia tem peso considerável nas carteiras da Occam. No mercado externo, Duda Rocha vê com bons olhos papéis como os da Exxon Mobil (EXXO34). No Brasil, “Petrobras (PETR3; PETR4) é dominante”, declarou o gestor, citando os gordos dividendos anunciados pela estatal na última quinta-feira (28). “PetroRio (PRIO3) também é boa, mas não supera a Petrobras”, acrescenta. 

A Petrobras também se encaixa no padrão de assimetrias buscado pela asset. De acordo com Duda, a petrolífera, assim como o Banco do Brasil, “estão precificados para um cenário Dilma”.

Em termos de hedge contra inflação, a Occam aprecia papéis ligados ao setor elétrico, como os da Eletrobras (ELET3; ELET6). Duda refere-se à recém-privatizada como um “case subestimado” e de baixo risco, e afirma o potencial de avanço da empresa em governança. 

Todavia, na medida que a gestora de fundos está comprada em energia, está vendida no setor de metais. “O Minério de ferro vai desvalorizar”, exclama Duda Rocha. Por essa justificativa, ele não direciona capital às metálicas, mesmo gostando de Gerdau (GGBR3; GGBR4) e Vale (VALE3). 

Já o setor de tecnologia recebe considerações mistas da Occam, tanto na B3 quanto em Wall Street. “Big techs como Microsoft e Google, ligadas ao mundo executivo, sofrem menos com a crise, diferentemente de Facebook e Snap”, explica o CIO. Segundo ele, “empresas muito inovadoras ganham mercado”, o que também se aplica ao Brasil. Duda analisa a Localiza (RENT3) como “bom case”, frente à fusão com a Unidas e um “modelo de tecnologia favorável”. 

A máxima se mistura com o setor financeiro – por si só, alvo das alocações da Occam. Duda Rocha enxerga oportunidades nos papéis da XP (XPBR31), a qual define como “empresa de crescimento”, e do BTG (BPAC11). Nos EUA, o gestor destaca o Goldman Sachs (GSGI34).

Em contrapartida, o setor de e-commerce não partilha do mesmo olhar favorável por parte da Occam. Comentando sobre Magazine Luiza (MGLU3), Duda Rocha destaca negativamente o endividamento da empresa: “a relação de retorno e risco não é boa”. 

Ainda assim, apesar do pessimismo endêmico que se instalou entre a massa de investidores do ano passado para cá quanto às ações de consumo, Duda Rocha não é tão dogmático. “Já passamos por pior cenário”, diz, em referência tanto ao Brasil quanto ao exterior. Entretanto, ele vê diferenças entre os dois países no que tange ao setor. 

“Não gostamos de empresas que sofrem com juros altos”, sintetiza. Nesse contexto, Duda define o atacarejo Assaí (ASAI3) como “bem encaixado”, dado o posicionamento da companhia entre a população de baixa renda. O gestor destaca o Auxílio Brasil como catalisador de desempenho para a empresa. 

Além das metálicas e varejo eletrônico, a Occam tampouco aprecia os frigoríficos. “Não gosto de proteína animal”, declara Duda. A proposição, distante do vegetarianismo, refere-se a companhias como Marfrig (MRFG3), dada a dependência de exportações para os EUA para o operacional.

Filosofia de investimentos

“O longo prazo é uma sucessão de curtos prazos”, exclama o CEO da Occam. Na caça às assimetrias, Duda não se convence com os juros altos do Brasil, e afirma não destinar recursos a títulos de rendimento IPCA + 6%. Na visão da Occam, o dólar vai se valorizar ainda mais frente ao real e, por isso, não vale a pena apostar na moeda brasileira. 

Através de citação de Clarice Lispector, ele define que “a salvação é pelo risco”. Em contrapartida, Duda não define nem “risco” nem “otimismo” como sinônimos para “inconsequência”. Definindo-se como “otimista inveterado”, Duda afasta a ideia de achar que tudo vai dar certo. “Mas sim, o que só joga em chances que estarão a seu favor”. 

A partir de tais preceitos, acrescidos da crença de que “as coisas são cíclicas” na economia, Duda Rocha culmina no princípio de que, em se tratando de políticos ou gestores de recursos – como ele próprio –, “não se pode ter sensação de infalibilidade”. 

Quanto à aplicação na prática, em referência à Occam, o CEO conclui: “criamos fundos para qualquer cenário”. 

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