Os pedidos de bens duráveis americanos cresceram 3,2% em março, recuperando parte das quedas de 5% e 1,2% registradas em janeiro e fevereiro. O núcleo dos pedidos, que exclui os itens de transporte, teve alta de 0,3% entre meses. Os dois indicadores superaram com facilidade as projeções do mercado de crescimento de 0,7% e queda de 0,2%, respectivamente.
A demanda por bens duráveis foi influenciada principalmente pelos equipamentos de transporte (9,1%), que se recuperaram após duas quedas consecutivas, puxados pelos pedidos de aeronaves civis (78,4%) e de defesa (10,4%). Por outro lado, a demanda por veículos caiu 0,1%. Enquanto isso, a demanda por computadores e produtos eletrônicos (1,9%), e equipamentos elétricos, eletrodomésticos e componentes (0,8%) cresceram.
As demandas por maquinário (0,1%), produtos fabricados de metal (0,1%) e metais primários (0,1%) ficaram praticamente estáveis. Os pedidos de bens de capital não defensivos, excluindo aeronaves, um proxy de planos de investimento das empresas, recuaram 0,4% no mês, seguindo uma queda de 0,7% registrada em fevereiro.
Apesar dos resultados bem além do esperado, tanto para o indicador padrão quanto para o núcleo, podemos atribuir parte do efeito positivo à base de comparação e ainda é possível ver o pessimismo dos produtores de bens duráveis através da queda nos planos de investimento das empresas.
Tendo em mente as perspectivas de manutenção dos juros elevados ao longo de todo o ano, redução da oferta de crédito em meio às instabilidades bancárias no país e projeções renovadas de recessão, a demanda por bens duráveis deve voltar a mostrar redução nos próximos meses e permanecer em baixa ao longo do ano.