Dívida/PIB: como medir o risco de calote de um país

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Para além de um indicador importante por si só, o Produto Interno Bruto (PIB) também revela informações sobre a saúde da economia quando aliado a outros dados, entre eles o endividamento de um Estado. 

A partir da relação dívida/PIB, é possível “avaliar como está o endividamento do Brasil e como isso afeta a percepção de risco dos agentes econômicos”, aponta Marco Ferrini, analista de macroeconomia da Benndorf Research. 

O endividamento de um país

A dívida bruta são todas as despesas de responsabilidade do Governo Federal, dos governos estaduais e dos governos municipais, junto ao setor privado, ao setor financeiro e ao resto do mundo. Também são incluídas as operações compromissadas realizadas pelo Banco Central com títulos públicos. 

Resumindo, é o montante total de obrigações financeiras que o país tem com credores. Esses credores são investidores da dívida, ou seja, toda vez que um país ganha menos do que gasta, ele financia essa diferença com dívida. 

Quando alguém compra um título de dívida, a última coisa que quer é não receber o pagamento prometido. Logo, a interpretação dos agentes quanto ao endividamento público influencia diretamente no sentimento de segurança para com aquele Estado. 

Caso se depare com uma dívida alta e uma avaliação de risco pior, provavelmente, haverá retirada de investimentos do país, devido ao medo de calote.

Dívida/PIB

“Para gente conseguir comparar banana com banana e maçã com maçã, é interessante a gente olhar a dívida/PIB,  pois, assim, conseguimos ter uma medida mais isonômica entre os países“, afirma Thomaz Sarquis, economista-chefe da Eleven Financial. Ele acrescenta que, quanto maior o país, espera-se que maior seja a dívida dele. 

A dívida bruta geralmente é expressa em uma relação percentual do PIB para se ter ideia de como está o endividamento do país em relação a tudo que foi produzido em um ano, pondera Marco. 

“Tendo em mente que a dívida bruta do Brasil atualmente é de 76,8% do PIB, podemos dizer que seria necessário utilizar 76,8% de todos os bens e serviços finais produzidos durante um ano para quitar a dívida brasileira”, complementa Marco.

Como afeta os investimentos?

A trajetória da dívida é muito mais importante do que o nível dela, afirma o economista da Eleven, “porque, se ela está crescendo, é um sinal de descontrole, significa que o governo está financiando gastos em montante maior do que está amortizando os juros.”

Outro indicador para ficar de olho, segundo ele, é a expectativa da taxa de juro que incide sobre a dívida. Thomaz dá o exemplo do Japão, onde a dívida PIB é maior que 200%, mas a taxa de juros é historicamente muito baixa, e a expectativa é que, no longo prazo, ela volte a esse nível. 

“Então, o juro que incide sobre essa dívida, principalmente em vértices mais longos de vencimentos, é muito baixo. Isso também ajuda na ideia de estabilidade do indicador dívida/PIB, não importando se ele é alto, baixo, médio e afins”.

Endividamento do Brasil

A dívida bruta do Brasil caiu novamente em outubro e fechou em 76,8% do PIB, correspondendo a R$ 7,3 trilhões.

“Com a pandemia, a dívida bruta subiu em decorrência dos gastos necessários para o seu enfrentamento, mas tem decrescido”, disse Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, em entrevista

O resultado de outubro trata-se do menor patamar desde fevereiro de 2020, quando a dívida era de 75,3% do PIB. Em setembro, o indicador somava 77,1% do PIB.

A queda no endividamento nos últimos meses decorre, principalmente, do efeito do crescimento do PIB nominal, dos resgates líquidos de dívida e do efeito da valorização cambial, aponta Marco.

Segundo Thomaz, outro fator que levou à redução da dívida foi o aumento da inflação, que atingiu a dívida sobre dois canais. “O primeiro é o canal de juro real. Quanto maior a inflação, menor vai ser o juro real, então menor é o juro que vai incidir sobre essa dívida”, disse.

O segundo é a arrecadação. Com a inflação mais alta, aumenta quanto o país recebe, visto que a arrecadação acontece sobre os preços correntes. Ou seja, se a inflação leva os preços de R$ 20 para R$ 30, o país passa a “ganhar” R$ 10 a mais.

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