O dólar pode ter fechado em queda de 0,16% no pregão desta quinta-feira (28), mas a moeda americana segue forte e em um patamar interessante: os R$ 5,00. A divisa dos Estados Unidos não atingia este valor desde abril, além de ter chegado a negociar abaixo dos R$ 4,80.
Segundo Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos, o panorama para o dólar começou a mudar por vários fatores, sendo o principal deles a perspectiva de que os juros americanos devem permanecer altos por muito mais tempo que o esperado.
“Esse gatilho foi justamente a informação que o presidente do Fed [Federal Reserve] fez na última reunião do Fomc [Federal Open Market Committee]”, destacou o especialista.
Jerome Powell – presidente da autarquia – afirmou logo após o anúncio que os efeitos totais da campanha de aperto monetário do Fed ainda serão sentidos, mas deixou claro que o órgão terá de manter os juros em níveis restritivos por um tempo.
“Queremos ver evidência convincente de que atingimos um nível apropriado nos juros”, relatou.
Além disso, Leandro Petrokas, diretor de research, mestre em finanças e sócio da Quantzed, afirmou que o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), indicando preocupação com a inflação e cautela no cenário fiscal, também influenciou na valorização do dólar.
E como fica o cenário para 2023?
Para Beto, o movimento foi pontual.
O analista indica que as altas dos últimos dois meses não devem prosseguir em 2023, já que, apesar dos juros americanos permanecerem altos por mais tempo, a inflação do país deve começar a cair mais fortemente, o que, por sua vez, levará as taxas dos EUA para baixo.
“A gente acredita […] que o dólar não continua se apreciando; pelo contrário, a gente acredita que o dólar pode chegar a casa dos R$ 4,80, R$ 4,70, que era para onde [a moeda] estava indo anteriormente”, frisou.
Onde posso investir em momentos de alta do dólar?
O diretor da Nomos é curto: “as oportunidades que surgem com dólar mais alto são [as de] todas aquelas empresas que se beneficiam disso”.
Apesar de parecer uma máxima simples, muitos investidores não conseguem diferenciar as companhias que são apreciadas pela alta da moeda e vice-versa.
Beto também destaca a recente subida das cotações de petróleo, o que acaba influenciando as commodities em geral.
“A gente tem uma combinação de dólar mais alto com commodities subindo. E quais empresas são beneficiadas? [São as] empresas de alimentos, empresas de commodities, empresas exportadoras”, listou.
Entre os grupos citados, o especialista ressalta Petrobras [PETR3;PETR4], Vale [VALE3], empresas de alimentos de uma forma geral, como a BRF [BRFS3], além das ligadas à celulose, que costumam ser grandes exportadoras, tal qual a Klabin [KLBN11] e a Suzano [SUZB3].
“O dólar mais alto, para quem tem investimentos internacionais, para quem tem uma diversificação global de carteira […] acaba se beneficiando [mais] do que aquela pessoa que simplesmente não diversifica globalmente”, enfatizou.