Dólar em alta: guerra, inflação americana e irresponsabilidade fiscal brasileira

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DISCLAIMER: o texto a seguir trata apenas da opinião do autor e não necessariamente reflete a opinião institucional da Nomos Investimentos ou do TradeNews.

A recente escalada do dólar, que agora opera próximo aos R$ 5,20, reflete uma conjuntura complexa, influenciada por três fatores principais: os conflitos no Oriente Médio, a inflação persistente nos Estados Unidos e a falta de compromisso com a responsabilidade fiscal no Brasil.

Entre esses, o último tem sido menos destacado pela mídia, mas é precisamente o que nos oferece insights valiosos sobre como proteger e multiplicar o patrimônio nos próximos anos.

Conflitos no Oriente Médio e Impactos Econômicos

Historicamente, guerras no Oriente Médio têm um efeito direto na valorização do dólar e no aumento dos preços dos combustíveis. A instabilidade nesta região, rica em petróleo, afeta diretamente a economia global, pressionando as moedas de países dependentes de importação de energia. Não há expectativas de que essa tensão se resolva em breve, o que mantém o mercado financeiro em constante alerta, principalmente pelo potencial de pressionar a inflação e as cadeias produtivas globais.

Persistência da Inflação Americana

Nos Estados Unidos, a inflação se mostrou mais resiliente do que o previsto, o que levou o Federal Reserve a adotar uma postura mais cautelosa quanto à redução das taxas de juros. Com juros altos nos EUA, o capital tende a se concentrar nesse mercado, dificultando a entrada de dólares em países emergentes como o Brasil, contribuindo para a desvalorização do real frente ao dólar.

Irresponsabilidade Fiscal no Brasil

Não podemos controlar os conflitos no Oriente, tampouco a inflação americana; para piorar, a única coisa que podemos controlar — a dívida pública — escolhemos negligenciar!

No Brasil, a situação é agravada pela recente decisão do governo de relaxar as metas fiscais e eliminar a possibilidade de superávit para 2025. Essa postura sugere uma continuidade na expansão da dívida pública, uma estratégia que reduz a confiança dos investidores e deteriora ainda mais o valor da moeda nacional. Esse cenário tem paralelos preocupantes com a crise econômica enfrentada durante o governo Dilma, que teve suas raízes nas políticas fiscais expansivas de seus antecessores.

Estamos, neste momento, plantando a nova “crise Dilma”, e essa bomba vai estourar no colo de alguém.

Implicações para o Planejamento Financeiro

Se há alguma boa notícia nesse cenário, é o fato de ele não ser novo, o que em tese nos possibilita uma vantagem, se formos capazes de fazer uma avaliação honesta do passado para entender quais foram as melhores e piores opções de investimentos.

Olhando para a crise Dilma, percebemos uma explosão dos juros e da inflação. Naquela época, quem tinha renda fixa IPCA + 6% ao ano corrigia o patrimônio acima de 16% ao ano, o que é suficiente para dobrar o capital investido em menos de 5 anos.

Para quem investe a longo prazo, comprar a tese de juros reais é fundamental. No fim do dia, o que realmente importa para a consolidação do seu patrimônio é o quanto ele cresce acima da inflação ao longo dos anos, e é isso que vai determinar o sucesso do seu planejamento.

A tese é simples: Temos um cenário de inflação baixa e um governo fiscalmente irresponsável, toda essa gastança historicamente sempre gerou inflação futura. Atualmente, temos excelentes opções de títulos públicos e privados pagando mais do que IPCA + 6% ao ano. Talvez isso hoje não chame atenção do investidor, pois, com a inflação baixa, o retorno nominal de um título desse tipo fica próximo dos 9% ao ano. Mas se a inflação disparar, como na crise Dilma, esses 9% podem se transformar em 16%!

Um bom investimento é basicamente comprar algo barato para vender mais caro, e é exatamente isso que está acontecendo agora no mercado de renda fixa.

Risco Brasil e Viés Doméstico

Os dados estão aí, e fatalmente, no futuro, seremos reféns das escolhas que fizermos agora. Por isso, um bom planejamento financeiro sempre deve propor alternativas de diversificação internacional.

Ter pelo menos 20% da carteira investida no exterior é um ato de legítima defesa!

O Brasil representa apenas 1% de todas as oportunidades de investimentos existentes no mundo. Nossa bolsa de valores inteira, incluindo gigantes como Vale e Petrobras, tem valor de mercado menor do que uma grande empresa americana. No entanto, o viés doméstico impede a maioria dos investidores de buscar diversificação internacional.

A corrida das tartarugas

Praticamente todos os gestores de fundos de investimentos estão hoje enchendo o carrinho de títulos acima de IPCA + 6%, daqui a dois anos, se eles estiverem certos, a performance dos fundos de investimentos que eles administram pode ser muito boa, e como o brasileiro médio investe olhando apenas a rentabilidade dos últimos 12 meses, veremos uma corrida dos investidores tartarugas querendo aplicar nos fundos que mais renderam no ano sem considerar que a rentabilidade passada, já passou!

Se você não quer ser um investidor tartaruga, precisa começar a investir com horizontes mais longos.

Os títulos com vencimento em 7 anos e com taxas acima de IPCA + 6% que você está negligenciando hoje por talvez serem longos demais, possivelmente serão os mesmos responsáveis pela boa performance dos fundos que você vai querer investir daqui a 2 ou 3 anos.

Conclusão

Enquanto o mundo enfrenta desafios econômicos significativos e o Brasil navega por escolhas fiscais questionáveis, um bom planejamento financeiro e a diversificação de ativos tornam-se essenciais. Entender e responder aos movimentos econômicos globais e locais permite não apenas a proteção, mas também a multiplicação do patrimônio em tempos incertos.

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