Com mais de 11% de valorização nesta quarta-feira (20), a Gafisa [GFSA3] se recupera do tombo dos últimos dois pregões. Ainda assim, o ativo acumula 35% de queda semanal, a qual traduz as reações do mercado à decisão da CVM de suspender a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada pela Esh Capital para segunda-feira (20).
O colegiado da CVM deliberou pela ilegalidade da convocação da AGE na última sexta-feira (15). Ao TradeNews, a gestora expressou revolta com a decisão. Nossa redação entrou em contato na segunda-feira, entretanto, uma vez que a resposta veio depois da repercussão da matéria original sobre o caso, preferimos publicar os comentários em matéria à parte, a fim de conceder à Esh repercussão semelhante à do texto anterior.
“Vamos começar pelos atos que causam mais estranheza”, inicia a resposta, na qual a Esh diz também que só tomou conhecimento da decisão da CVM em medida judicial cautelar impetrada para não realização da AGE.
Isso teria acontecido, segundo a asset, porque o analista responsável pelo relatório apresentado para o colegiado da autarquia enviou a decisão para um advogado que não estava atuando na causa e deixou de advogar para a Esh há mais de um ano.
“O superintendente da área falou que isso vai ser apurado. Ao meu ver, não existe equivoco. Ao que tudo indica, essa foi uma suposta atitude deliberada de um servidor que atuou de maneira parcial e influenciou a decisão do colegiado.”
A Esh Capital, dona do fundo Esh Theta, o qual tem posição na Gafisa, desconfia também da idoneidade da reunião da CVM, realizada às 17h da sexta-feira anterior à então data da AGE. A proximidade das datas “levanta suspeitas se isso não foi feito justamente para que nenhuma medida pudesse ser tomada para reverter uma eventual (e agora concreta) decisão contraria”.
A assembleia em questão teria por objetivo apurar a venda do empreendimento Praia Ipanema pela Gafisa, prosseguiu a gestora, o qual não foi divulgado como transação com parte relacionada e, mesmo com pedido da Esh para CVM, absolutamente nada foi feito para esclarecer esse ponto.
O técnico da CVM responsável pelo caso disse que a a realização do evento traria instabilidade para a Gafisa. De acordo com a decisão, “este é o quinto pedido de convocação de Assembleia Geral da Esh, além do pedido de inclusão de matéria em pauta em ordem do dia da Assembleia Geral Ordinária de 2023, situação que vem criando instabilidade e prejuízo à regular condução normal dos negócios sociais”.
A gestora contesta. Conforme dito ao TN, a Esh fez apenas três pedidos de AGE e um pedido de inclusão de pauta em Assembleia Geral Ordinária (AGO) até o momento. A AGE em questão tratava-se de um evento previsto em lei e no estatuto da Gafisa, acrescenta.
“A administração fez mais de uma dezena de aumentos da capital, vendeu ativos importantes sem anunciar que eram transações com partes relacionadas, comprou ativos inúteis. O que traz instabilidade para companhia é o contínuo uso da companhia para fins particulares.”