Fraude oficial: o futuro de AMER3 após a acusação de ex-diretores da Americanas

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As ações da Americanas [AMER3] fecharam em alta de 0,81% nesta quarta-feira (14), após um pregão volátil e contrastante com as duas altas de 6% do início da semana. A varejista voltou aos holofotes na terça-feira (13), após um documento oficial chamar a crise da companhia de fraude pela primeira vez.

Apesar do impacto do fato relevante – que acusou formalmente ex-CEO Miguel Gutierrez, três ex-diretores e três ex-executivos da Americanas – a assunção formal do caso como fraude pouco altera o panorama da companhia, disseram os especialistas ouvidos pelo TradeNews.

AMER3 segue fora do radar

Para Pedro Menin, sócio-fundador da Quantzed, é difícil atribuir ao comunicado as altas dos últimos dois dias, dada a altíssima volatilidade de AMER3, superior a 100% ao ano.

Qualquer movimento é muito errático. “Difícil tentar prever movimentos de preço num curto prazo com uma velocidade tão alta, em que o desvio padrão é muito alto.”

Já Ricardo Brasil, fundador da Gava Investimentos e pós-graduado em análise financeira, exerga sim certa correlação entre a notícia e o desempenho das ações.

“É bom pro mercado imaginar que você pode atingir o patrimônio dos diretores, de quem estava envolvido”, ponderou. Por mais que o potencial saldo seja pouco para resolver o problema da Americanas, a sensação de que os culpados serão punidos é algo positivo.

Todavia, Ricardo não acha que AMER3 seja uma ação para investidores de longo prazo.

“É uma ação para se especular.” Pode ser uma boa aposta para quem quiser fortes emoções, acrescenta. “Mas, para quem não está habituado, talvez seja melhor ficar de fora, porque a probabilidade de se machucar é muito grande.”

O analista técnico Filipe Borges, da Benndorf Researxh, segue uma linha parecida. Ele aconselha os traders a não fazerem novas operações em AMER3, pois não há tendência visível no gráfico do papel.

“Mas, caso feche acima de R$ 1,25, o ativo pode voltar ao radar para compras.” O especialista ressalta a importância de observar se haverá aumento de volume ou não em AMER3 – caso haja, a ação pode novas altas “para buscar alvos em R$ 1,78 e, ao final, em R$ 2,09”.

O papel da Americanas segue consolidado entre R$ 0,95 e R$ 1,25.

Contexto

No fato relevante da última terça-feira, a Americanas S.A. enfim declarou que o motivo do rombo contábil de R$ 20 bilhões descoberto em janeiro de fato é fruto de fraude.

O esquema consiste em descontos do recebimento de verba publicitária artificialmente criadas e lançamento incorreto dos juros sobre operações financeiras, de modo a artificialmente inflar o lucro operacional da Americanas – ocultando a conta de risco sacado no balanço.

Na visão de Menin, a empresa fez o anúncio – incluindo a nomeação da diretoria responsável – por duas razões. A primeira seria um mea culpa, mas a principal seria a tentativa de apresentar um bode expiatório, arrumar um culpado para o problema.

“Assim, ela [a Americanas] pode tentar dizer ‘olha, agora, com a gestão nova, estamos tentando fazer tudo melhor, vamos colaborar com as autoridades, estamos dispostos a negociar com os corredores, mas não fomos nós’.”

Na prática, entretanto, nada muda para a companhia, diz Ricardo Brasil. Na visão dele, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deveria usar o caso como exemplo para evitar o risco moral, através da punição de CPFs.

“Isso seria ótimo como exemplo, ver as pessoas sendo punidas, porque as outras empresas não fariam a mesma coisa. Isso é um exemplo.”

O profissional explica que punição semelhante já aconteceu nos EUA, sendo a quebra do Lehman Brothers o exemplo mais emblemático. “Em vez do governo salvar, ele deixou quebrar”, explica. “Se você não cuidar de casa, o governo não vai te salvar.”

O que vem por aí no caso Americanas 

O sócio-fundador da Quantzed recomenda esperar o resto das investigações do Ministério Público e da CVM para se ter qualquer conclusão sobre o futuro da Americanas.

Além disso, prosseguiu Pedro Menin, também deve acontecer um contra-ataque da antiga diretoria, acusada no fato relevante, conforme dito por Lauro Jardim, do O Globo. 

“É importante lembrar que no conselho também tinha o Beto Sicupira”, integrante do trio de investidores 3G Capital. Caso os ex-gestores acusados consigam provar algum envolvimento no processo de fraude, a situação da Americanas pode se agravar. 

O atual posicionamento da 3G Capital, aliás, é justamente um dos possíveis catalisadores para a recente valorização de AMER3. 

Beto Sicupira e os sócios Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles, acionistas de referência da Americanas, estão em um acordo para não vender ações durante três anos e aportar R$ 12 bilhões. 

Em síntese, diz Menin, o buraco ainda é muito fundo. “Muito longe de resolver o problema, muito longe de ter um horizonte positivo, não dá pra comemorar nada.” 

Por isso o especialista discorda de uma valorização intencional de AMER3 no mercado. “Pode sim ter uma especulação e tudo mais, mas eu acredito que investidor de valor, por exemplo, está passando longe.”

 



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