Diversificação de moedas, acesso ao mercado internacional e liquidez de um lado. Risco cambial, baixa rentabilidade e custos para manutenção de outro. Esses são alguns dos prós e contras do investimento em fundos cambiais, um tipo de fundo que aplica em ativos relacionados a moedas estrangeiras.
Esses fundos são uma forma de os investidores alocarem recursos em moedas diferentes da moeda nacional, “buscando proteção contra variações cambiais e diversificação de suas carteiras de investimentos”, segundo Leandro Vasconcellos, head da mesa de alocação da Nomos.
Apesar de ter relação com o exterior, o fundo cambial não é como qualquer outro fundo que invista internacionalmente. Enquanto o primeiro aloca em ativos como títulos da dívida externa, letras de câmbio e depósitos em contas no exterior, o segundo aplica em ações, títulos, ETFs (fundos negociados em bolsa), entre outros ativos, de empresas sediadas em outros países.
A rentabilidade dos fundos cambiais é determinada pela variação da taxa de câmbio entre a moeda nacional e a moeda estrangeira em que o fundo investe. Beto Saadia, planejador financeiro e especialista em alocação da Nomos, explica como seriam os rendimentos de um fundo que investe em dólar: “a rentabilidade dele [do fundo], para o bem é para o mal, vai ser exatamente igual ao dólar. Se o dólar subir 1%, seu investimento vai subir 1%. Se o dólar cair 1%, você vai ter um prejuízo de 1%.”
Já o fundo de investimento no exterior “é amplo”, de acordo com o planejador financeiro, porque investe “em qualquer coisa que negocie no exterior.” Na maioria das vezes, esse tipo de investimento é negociado nos Estados Unidos, consequentemente sendo vendido e comprado em dólar. “Então a sua rentabilidade vai ser a rentabilidade do investimento mais a variação do dólar. Por exemplo, se você compra um bond que rende 5% ao ano, a sua rentabilidade no Brasil vai ser 5% mais a variação do dólar”, explica Saadia.
Fundos cambiais x bonds
Os fundos cambiais e os bonds podem interagir em uma estratégia de dolarização de uma carteira de investimentos, segundo Leandro.
“Os fundos cambiais podem ser usados para investir em ativos em moedas estrangeiras, incluindo o dólar americano, enquanto os bonds podem ser usados para investir em dívidas de empresas ou governos em outros países denominados em dólares. Dessa forma, ambos os investimentos podem ajudar a proteger o patrimônio do investidor contra a desvalorização da moeda local”, afirma o especialista em alocação.
Ao investir em ambos os produtos, o investidor tem a possibilidade de diversificar a carteira de investimentos em moedas estrangeiras e minimizar o risco de perda de valor da moeda local.
Contudo, o especialista em alocação alerta para os riscos envolvidos neste tipo de operação, entre eles riscos cambiais e de crédito. Além dos custos e taxas associados aos fundos cambiais e aos bonds, que devem ser considerados antes de investir.
Fundos cambiais
Os fundos cambiais podem ser uma opção interessante para investidores que buscam proteção contra flutuações cambiais ou desejam investir em moedas estrangeiras como forma de diversificar suas carteiras de investimentos, de acordo com Vasconcellos.
Devido à rentabilidade associada à moeda, a principal vantagem é a diversificação cambial, que protege o investidor ao reduzir a exposição ao risco de desvalorização da moeda local, de acordo com Leandro e Beto.
“Isso é muito bom também para importador, por exemplo, que faz uma compra e precisa pagar essa ano que vem. Se o dólar subir muito, pode ser que ele não tenha o dinheiro para pagar essa conta. Então ele faz essa proteção comprando hoje o fundo cambial”, exemplifica o planejador financeiro.
Tal investimento pode ser uma boa opção também para quem planeja viagens internacionais, segundo Saadia.
Outro ponto positivo é a possibilidade de alocar em um novo mercado. “Investir em fundos cambiais também pode ser uma forma de ter acesso ao mercado internacional sem precisar investir diretamente em ações ou títulos de empresas estrangeiras”, afirma Vasconcellos.
Além disso, a boa liquidez dos fundos cambiais permite que os investidores resgatem seus recursos em curto prazo.
Contudo, também existem as desvantagens. Tais produtos financeiros estão sujeitos às variações cambiais, o que pode levar a prejuízos. Em alguns momentos, estas variações podem ser pequenas ou mesmo negativas, limitando a rentabilidade dos fundos cambiais, de acordo com Leandro.
Além disso, os fundos cambiais costumam ter taxas e custos associados, como taxa de administração e impostos, reduzindo também a rentabilidade do investimento. Eles são tributados conforme a tabela regressiva de imposto de renda (IR), que varia de acordo com o prazo de resgate do investimento.
A alíquota máxima de IR é de 22,5% para resgates realizados em até 180 dias e de 15% para resgates realizados após 720 dias.
Ainda há o imposto sobre operações financeiras (IOF), cobrado sobre os resgates de fundos cambiais realizados em até 30 dias da aplicação. A alíquota varia de acordo com o prazo do investimento, sendo que a alíquota máxima é de 1,5% para resgates realizados em até um dia.
A gestão do fundo também costuma cobrar uma taxa de administração, que varia com o banco ou corretora que oferece o investimento, além da taxa de performance, quando o fundo supera um benchmark (índice de referência) pré-determinado.