IPCA-15 sobe com reajustes novamente

O IPCA-15 de abril registrou alta de 0,57%, desacelerando dos 0,69% de março. Na comparação anual, o indicador apresentou variação de 4,16%, recuando bastante dos 5,36% anteriores e atingindo o menor patamar desde outubro de 2020. Ambos os indicadores ficaram levemente abaixo das expectativas.

Em abril, os três grupos de maior variação e impacto foram os Transportes (1,44% e 0,29 p.p.), a Saúde e cuidados pessoais (1,04% e 0,14 p.p.) e a Habitação (0,48% e 0,07 p.p.). Juntos, os três grupos representaram 88% do resultado final.

Assim como foi em março e já era esperado, o IPCA-15 de abril foi muito afetado pela reoneração de impostos e reajustes sazonais de alguns itens. No grupo Transportes, a gasolina (3,47%) foi novamente o item de destaque e a principal responsável pelo maior impacto individual no IPCA-15 (0,17 p.p.). Além disso, o etanol (1,1%) também avançou. O diesel (-2,73%) e o gás veicular (-2,17%) recuaram.

As passagens aéreas subiram 11,96%, se recuperando da queda de 5,32% em março. Já em Saúde e cuidados pessoais, o reajuste de até 5,6% nos preços dos medicamentos foi o fator de maior contribuição, mas contou com a fração mensal de reajuste dos planos de saúde (1,2%). Já os itens de higiene pessoal (0,35%) desaceleraram, influenciados pelos perfumes (-1,99%).

No mais, em Habitação, a energia elétrica residencial (0,84%) se sobressaiu ao ser influenciada por reajustes em concessionárias. Outro impacto no grupo veio do aluguel residencial (0,53%). Por último, o grupo Alimentação e bebidas desacelerou dos 0,2% de março para apenas 0,04% em abril, impactada pela variação negativa da alimentação no domicílio (-0,15%).

Entre as quedas, destacam-se a batata-inglesa (-7,31%), a cebola (-5,64%) e o óleo de soja (-4,75%). Do lado das altas, o ovo de galinha (4,36%) foi o principal item. Como já tínhamos alertado, a prévia da inflação de abril repete o comportamento de março e é puxada quase que exclusivamente pela reoneração de impostos e reajustes em alguns poucos setores.

Sendo assim, mantemos nossa projeção de desaceleração da inflação a partir de maio, abrindo espaço para cortes de juros no segundo semestre do ano e aliviando a pressão sobre a economia real, principalmente no âmbito da inadimplência e endividamento. Além disso, esperamos que o processo de desancoragem visto através do relatório Focus seja contido após os bons resultados da inflação.

Nesse sentido, setores mais cíclicos podem retomar espaço na segunda metade do ano caso nossa previsão esteja correta, e os bancos também devem se beneficiar de uma potencial diminuição da inadimplência, reduzindo as pressões sobre o mercado de crédito. Ainda reforçamos que setores expostos à retomada chinesa devem apresentar boa performance ao longo do ano e a renda fixa seguirá em alta.

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