O IPCA avançou 0,23% em maio, ficando 0,38 p.p. abaixo da taxa de abril. nos últimos 12 meses, o indicador acumula alta de 3,94%, recuando dos 4,18% anteriores e confirmando a tendência de desaceleração mais pronunciada da inflação em maio, como tínhamos comentado em resultados anteriores.
O maior impacto e variação veio do grupo Saúde e cuidados pessoais (0,93% e 0,12 p.p.), ainda causados em grande parte pelos reajustes dos planos de saúde (1,2%) e medicamentos (0,89%), mas também com influência dos perfumes (3,56%).
Na sequência veio o grupo Habitação (0,67%), que teve a taxa de água e esgoto (2,67% e 0,05 p.p.) como item de maior contribuição, além de ser influenciada pela energia elétrica residencial (0,91% e 0,04 p.p.), ambas resultantes de reajustes nas tarifas.
No mais, o grupo Alimentos e bebidas perdeu ritmo em relação ao resultado do IPCA-15, registrando estagnação na alimentação no domicílio, que contou com variações menores dos principais itens de impacto, como o tomate (6,65%), o leite longa vida (2,37%), o óleo de soja (-7,11%) e as frutas (-3,48%).
Enquanto o grupo Transportes (-0,57% e -0,12 p.p.) acentou sua contração ao ser influenciado pelo recuo nas passagens aéreas (-17,73%) após uma forte alta em abril e pela queda de todos os combustíveis, com excessão do etanol (0,38%).
O resultado do IPCA solidifica nossa visão de que a inflação brasileira começaria a perder ritmo de forma mais expressiva a partir de maio, fato que abre margens maiores para reduções de juros e coloca mais pressão sobre o BC.
Entretanto, esperamos algum impacto resultante da reoneração de impostos em junho e julho, mas com uma compensação ao menos parcial da Petrobras não esperamos reflexos no médio e longo prazo, de modo que a inflação deve continuar contida. Dito isso, os ativos cíclicos começam a ficar cada vez mais interessantes, mas a seletividade ainda é a chave para boas escolhas.