O Índice de Preços ao Produtor americano registrou deflação de 0,3% em maio, retornando ao território negativo após avançar 0,2% em abril. Na comparação anual, o índice recuou para 1,1%, mínima desde dezembro de 2020. O núcleo da inflação, por outro lado, registrou altas de 0,2% entre meses e 2,8% entre anos, sendo este último a mínima desde fevereiro de 2021.
A deflação de maio pode ser atribuída aos preços por bens, que recuaram 1,6% no mês, enquanto os preços dos serviços aumentaram 0,2%. A queda dos bens foi a mais expressiva desde julho do ano passado e grande parte pode ser atribuída ao recuo de 6,8% da energia, causado principalmente pela contração de 13,8% da gasolina, que reflete a demanda perdendo força. Os índices do diesel, ovos de galinha, combustível de avião, legumes frescos e secos, e sucata de aço e ferro também caíram.
No setor terciário, a alta foi puxada pelo aumento das margens dos prestadores de serviços (1%), que pode ser atribuída às margens do varejo de automóveis e peças (4,2%). Índices de combustíveis e lubrificantes, vestuário, calçados e acessórios também avançaram.
A tendência de queda nos preços da indústria ganha mais força com os resultados de maio, mas ainda vemos que a maior parte da redução pode ser atribuída aos itens mais voláteis, algo que é reforçado pelo fato do núcleo do IPP permanecer mais de 2,5 vezes acima do indicador geral na comparação anual.
Além disso, a inflação aos produtores denota o mau momento da indústria do país, algo que pode ser atribuído aos juros elevados e inflação persistente, cenário que deve se manter até o início do ano que vem já que não esperamos reduções na taxa de juros esse ano e as condições de crédito devem passar por mais deterioração, possivelmente confirmando uma recessão nos EUA.
Por fim, o resultado é mais um que fortalece a noção de que o FED deve confirmar o encerramento do seu ciclo de aperto monetário e é bom para as bolsas no curto prazo, mas
reforçamos nossa visão de que há uma assimetria considerável nos índices americanos e esperamos perda de ritmo da renda variável no segundo semestre, abrindo espaço para os emergentes.