Meio de Pregão: commodities limitam Ibovespa e favorecem alívio do dólar

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O Ibovespa opera em alta moderada nesta quarta-feira (27), mas, a despeito dos ganhos robustos da maioria das bolsas americanas, perdeu pontualmente a marca dos 100 mil pontos há pouco. Ações ligadas a commodities limitam o indicador de acelerar a elevação.

Para José Simão, sócio da Legend Investimentos, a falta de vigor do Ibovespa deve-se em parte à ausência de motivadores de curto prazo. “Temos não só expectativa de deflação do IPCA, mas temos um aperto monetário nos Estados Unidos e a Europa em situação cada vez mais crítica. Na China, tem o lado positivo que é a ajuda do governo a incorporadoras, mas o abre e fecha [das atividades por conta da Covid-19] gera incertezas. Não sabemos o quanto impactará no crescimento do trimestre”, afirma.

Os investidores acompanham a reunião do Conselho da Petrobras (PETR3; PETR4), que pode alterar a política de preços dos combustíveis da empresa. Segundo Simão, “de certa forma, o papel já tem embutido este tipo de risco. É um ativo que está barato e tem gerado fluxo de caixa interessante, que pagará um dividendo considerável [em torno de R$ 40 bilhões]”.

Descoladas do desempenho do petróleo no mercado internacional e com ganhos de quase 9% em julho, as ações da estatal passam por correção e recuam 1,57% (ON) e 1,06% (PN). “Na minha percepção, é ruim porque demonstra que há uma pressão, seja do governo, seja do sistema político em geral, de flexibilizar uma política de preços que hoje maximiza o lucro da empresa”, afirma o economista-chefe da Nova Futura, Nicolas Borsoi.

As ações da Vale (VALE3) caem 0,26%, apesar da valorização do índice de metais no exterior e do recente rali nos preços do minério de ferro. O operador da Mesa Institucional Renascença, Roberto Monteiro, comenta que a mineradora tem destoado da commodity já há algumas sessões e que hoje o câmbio em queda atrapalha um pouco, dado que a Vale é exportadora. “É possível que o mercado esteja prevendo resultados mais fracos do segundo trimestre amanhã, considerando a queda no preço do minério de ferro nos últimos meses”, comenta.

O dólar registra leve baixa com apetite por risco. Na última hora, a moeda bateu mínima de R$ 5,30 (-0,90%). Segundo o diretor Jefferson Rugik, da corretora Correparti, há continuidade do desmonte de posições cambiais defensivas no mercado futuro, mas em uma intensidade aparentemente menor que nas duas sessões anteriores.

Jefferson afirma que a valorização do petróleo e de algumas commodities agrícolas favorece o alívio da moeda americana bem como ajuda a embalar altas firmes nas Bolsas em Nova York e o Ibovespa, que precificam também balanços trimestrais corporativos. O fluxo comercial está relativamente equilibrado, de acordo com Rugik, à medida que os players de comércio exterior (exportadores e importadores) só estariam fechando operações necessárias para o dia enquanto aguardam a decisão de juros do Federal Reserve às 15h e a entrevista de Jerome Powell, presidente da instituição, 30 minutos depois.

🇧🇷 Ibovespa +0,66% (100.432)

💵 Dólar -0,74% (R$ 5,30)

Cotações registradas às 12h15

 

Commodities

petróleo registra alta, mas apresenta instabilidade, em meio às incertezas sobre a economia global. O óleo perdeu tração e chegou a tocar em território negativo. Na Europa, os constantes cortes no fornecimento de gás natural na Rússia ameaçam empurrar a atividade econômica a um quadro de recessão, com potenciais efeitos sobre a demanda por commodities.

minério de ferro fechou estável, cotado a US$ 112,04 a tonelada, mesmo preço da véspera.

🛢 Brent +2,14% (US$ 101,59)

🛢 WTI +2,31% (US$ 97,17)

🇨🇳 Minério de ferro 0% (US$ 112,04)

Cotações registradas às 12h15; minério de ferro referente a Qingdao

 

(Com Agência Estado)

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