A taxa de desocupação brasileira subiu 0,2 p.p. no trimestre encerrado em março em relação aos três meses imediatamente anteriores e foi a 8,8%, maior nível desde o trimestre encerrado em agosto do ano passado. Em comparação com o 4T22, o indicador teve alta de 0,9 p.p. e recuou 2,4 p.p. ante o mesmo período do ano anterior.
A população desocupada cresceu 10% frente ao trimestre anterior e atingiu 9,4 milhões de pessoas, deixando evidente a renovada deterioração do mercado de trabalho à medida que a economia desacelera. Por outro lado, na comparação com o 1T22, houve queda de 21,1%.
Já o contingente de pessoas ocupadas recuou 1,6% ante o último trimestre do ano passado e cresceu 2,7% em relação ao mesmo período de 2022, totalizando 97,8 milhões. O nível da ocupação foi estimado em 56,1%, indicando queda de 1 p.p. entre trimestres e alta de 1 p.p. entre anos.
A taxa composta de subutilização cresceu 0,4 p.p. em comparação com o trimestre encerrado em dezembro do ano passado e foi a 18,9%. Por outro lado, a população subutilizada (21,6 milhões) ficou estável na comparação trimestral.
Além disso, o número de empregados com carteira assinada permaneceu inalterado em relação aos três meses anteriores, mas cresceu 5,2% ante o 1T22, chegando a 36,7 milhões de pessoas. Enquanto isso, o número de empregados sem carteira assinada recuou 3,2% ante o 4T22 e cresceu 4,8% no ano, somando 12,8 milhões de pessoas.
A taxa de informalidade foi de 39% da população ocupada, alta de 0,2 p.p. entre trimestres e queda de 1,1 p.p. entre anos, um patamar muito elevado e que denota a fragilidade do mercado de trabalho brasileiro, dificultando a retomada da atividade econômica.
Por último, o rendimento real habitual foi de R$ 2.880, patamar estável em relação aos últimos 3 meses e 7,4% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. A massa de rendimento real (R$ 277,2 bilhões) também ficou estável frente ao trimestre anterior, mas cresceu 10,8% na comparação anual.
O novo ciclo de alta do desemprego se dá pela desaceleração interna causada pelos juros altos, demanda deprimida e recordes de inadimplência e endividamento, além da inflação ainda elevada. Entendemos que esse comportamento deve se manter ao longo do primeiro semestre, prejudicando o desempenho nos dois primeiros trimestres do ano.
Entretanto, diante dos dados melhores de inflação aos consumidores e produtores, retomada chinesa, uma boa proposta de arcabouço fiscal e uma taxa de juros terminal americana mais baixa, vemos espaço para cortes de juros no segundo semestre, fato que deve aliviar as pressões sobre consumidores e empresas e pode contribuir para a aceleração da economia, causando uma diminuição do desemprego.
Também podemos ter mais surpresas positivas com a reforma tributária e os programas planejados pelo governo para a negociação de dívidas e ampliação do crédito barato, mas ainda falta visibilidade nesse sentido.