O PCE Price Index, índice de inflação preferido do FED, registrou alta de 0,4% entre meses no resultado de agosto e passou de 3,4% para 3,5% na comparação anual. Entretanto, o núcleo do indicador registrou alta de 0,1% m/m e passou de 4,3% para 3,9% na comparação anual, mostrando uma desaceleração relevante e que beneficia o cenário de fim do ciclo de aperto monetário nos EUA.
Além disso, o resultado ainda trouxe aumentos de 0,4% na renda pessoal e nas despesas com consumo. O crescimento da renda pessoal se deu principalmente pelas compensações, receita pessoal de ativos e aluguéis maiores, que foram parcialmente compensados pela queda nos recibos de transferência corrente pessoal.
Já as despesas maiores com consumo podem ser atribuídas aos aumentos de US$ 47 bilhões em gastos com serviços e US$ 36,7 bilhões em gastos com bens.
Entre os serviços, a habitação e os serviços públicos foram os principais destaques, provavelmente pelo fato do mercado imobiliário seguir com a oferta baixa no primeiro caso e pela demanda por resfriamento com as altas temperaturas do verão. Outros segmentos que se sobressaíram foram os serviços de transporte e cuidados médicos.
Entre os bens, a maior contribuição veio dos gastos com gasolina e outros bens energéticos, principalmente os derivados de petróleo, que encareceram com a alta do barril no mercado internacional. Ademais, a alta do PCE está relacionada ao avanço de 0,8% nos preços dos bens e 0,2% nos preços dos serviços.
Os preços dos alimentos também avançaram 0,2%, enquanto a energia teve alta de 6,1%, novamente refletindo a alta do petróleo e seus derivados. Em relação ao mesmo mês do ano passado, os preços dos bens tiveram alta de 0,7%, enquanto os serviços avançaram 4,9%.
Os preços dos alimentos subiram 3,1% e a energia registrou deflação de 3,6%. A queda do núcleo do PCE Price Index é uma notícia muito boa e mostra que a desaceleração econômica e a política monetária estão fazendo efeito sobre a inflação, fato que abre margem para o FED manter a taxa de juros inalterada na reunião de outubro, potencialmente declarando o encerramento do ciclo de aperto monetário.
Ainda assim, é cedo para fazermos tal afirmação e devemos continuar monitorando os indicadores de atividade e inflação que serão divulgados antes da próxima reunião. No mais, o resultado mostra que ainda existe uma tendência de crescimento dos salários e que o consumo real está em desaceleração.
