Bonds e debêntures são títulos de renda fixa corporativos. Em linguagem simples, títulos de uma dívida. O mercado financeiro adora confundir os investidores – vendem dificuldade para colher facilidade como diz o ditado – e atua com inúmeras siglas e nomes diferentes para designar a mesma coisa.
No Brasil, chamamos os títulos de renda fixa (ou dívidas) corporativas por nomes distintos:
– Debêntures – títulos de dívida de uma empresa não financeira;
– CDBs – Certificado de Depósito Bancário – títulos de dívida de um banco.
Nos mercados externos, o termo “bond” é usado para esses mesmos títulos, tanto para empresas, quanto para bancos.
No Brasil, há ainda os títulos de renda fixa com incentivo fiscal, que não pagam imposto de renda (IR) quando investidos por uma pessoa física (PF). São os seguintes:
– CRA – Certificado de Recebíveis do Agronegócio – empresa que emite uma dívida lastreada em ativos do agronegócio;
– CRI – Certificado de Recebíveis Imobiliários – empresa que emite uma dívida lastreada em imóveis;
– LCA – Letra de Crédito do Agronegócio – banco que emite uma dívida lastreada em ativos do agronegócio;
– LCI – Letra de Crédito do Imobiliário – banco que emite uma dívida lastreada em imóveis;
– Debêntures incentivadas (lei 12.431/2011) – são debêntures emitidas para financiar, normalmente, setores que o governo quer incentivar – i.e. infraestrutura – e, por isso, o governo incentiva os investidores a fazê-lo com a renúncia à cobrança de IR para as PFs.
Logo, todos esses títulos são a mesma coisa: dívida corporativa, e quem fornece o dinheiro é o credor, ou, do nosso lado, o investidor. A única diferença entre eles são emissores distintos e/ou mercados distintos. E, por serem a mesma coisa, costumam ter as mesmas características. Por exemplo, quanto aos indexadores, existem títulos:
– pós-fixados;
– pré-fixados;
– referenciados à inflação.
No Brasil, temos todos os 3 indexadores, no curto prazo. Mas há claríssima predominância pelos títulos de inflação, quanto mais longo for a maturidade do título ou o horizonte do investimento. Isso acontece pela falta de confiança dos investidores no longo prazo do nosso país. A estabilidade e confiança são fundamentais em um título pré-fixado na perspectiva do investidor.
Por exemplo, podem olhar que nem o Estado brasileiro, que é considerado o ente de menor risco creditício no Brasil, com seus títulos soberanos, tem títulos pré-fixados muito longos. Os mais longos não passam de 10 anos (hoje, janeiro de 2023, temos o Tesouro pré-fixado 2033 com juros semestrais). No México, a título de exemplo, existem títulos soberanos de 30 anos.
Precisamos melhorar como nação e ser mais previsíveis para sermos mais confiáveis pelos investidores globais. Isso tudo aumenta o custo Brasil e é ruim para nossa economia. Um exemplo claro e recente é a tentativa do novo governo, através de seu pacote da semana passada, de buscar o equilíbrio orçamentário predominantemente via aumento de receitas, em vez de trabalhar uma redução das despesas maior.
Como qualquer “dona de casa” sabe, é mais fácil e confiável, em seu orçamento doméstico, adequar custos a sua realidade que buscar aumento de receitas. A mesma estratégia deveria valer para a gestão orçamentária de uma empresa e até do Estado.
Voltando aos créditos corporativos no exterior, os bonds costumam ser mais abundantes na modalidade pré-fixada (pois há confiança dos investidores nos emissores), mas existem instrumentos com taxa flutuante (floating rates), que é como se chamam os pós-fixados e indexados à inflação.
Os retornos de um bond, CDB ou debênture deveriam ser, em teoria, iguais para um mesmo emissor. Isso porque o principal risco é o de crédito, e esse vem de quem o emissor é e não de onde está custodiada ou onde foi emitida a dívida.
Mas, na realidade, nem sempre o são, e retornos de uma mesma empresa ou banco podem ser diferentes em mercados distintos. Para saber onde determinado emissor tem títulos de dívida mais atraentes para o investimento, só indo a mercado e comparando as opções (quando houver).
Existe também a diferença da moeda base do título, que deve ser levada em conta na decisão de investimento. Bonds são normalmente atrelados ao dólar americano (USD), euro (EUR), libra esterlina (GBP) ou iene japonês (JPY), ou seja, a moedas estrangeiras de países maduros.
Já CDBs ou Debêntures, naturalmente, são cotadas em Reais Brasileiros (BRL). Então, outra decisão que deve ser tomada pelo investidor é que tamanho do seu portfólio estará atrelado a moedas fortes versus ao próprio real brasileiro.
O percentual de alocação de cada tipo de renda fixa é um trabalho que tem a ver com o perfil de risco do investidor. Quanto mais agressivo, mais espaço para rendas fixas mais agressivas e até renda variável. Dentro das rendas fixas mais agressivas, naturalmente entram os bonds, que têm em si, no mínimo, a volatilidade a mais do câmbio a se considerar.
O quanto ter de um tipo de ativo também varia no tempo. Como regra geral, quanto mais novo o investidor, mais ele poderá correr riscos, pois há tempo para seu portfólio se recuperar de eventuais baques sofridos. E quanto mais agressivo, mais espaço para ativos estrangeiros. Quanto mais próximo da terceira idade, menor deverá ser a exposição a ativos de risco.
Mas aqui a decisão não é óbvia. Se o investidor tem parte de sua vida com gastos atrelados a moedas fortes, ele deveria, na mesma proporção dos seus gastos, manter seus ativos, evitando assim que flutuações cambiais desvalorizem seu portfólio em relação a seu padrão de vida (sua realidade de gastos).
Então, um investidor que tenha mais posses e já esteja aposentado, mesmo querendo um portfólio mais seguro, caso passe parte relevante de seu tempo no exterior, deverá obrigatoriamente pensar em manter parte de seu patrimônio nas moedas que usualmente gasta.
Como já apresentei em outro texto, sobre diversificação global de investimentos, não deixe todos seus investimentos em reais (BRL), mas diversifique globalmente. Na XP, a partir de R$ 10 mil investidos, um investidor tem acesso aos mercados globais.
Alguma dúvida? Procure seu assessor(a) de investimentos. Bons investimentos!