As operações estruturadas podem ser uma alternativa promissora para diversificar o portfólio e alcançar retornos potencialmente superiores à renda fixa tradicional. No entanto, exigem conhecimento e cautela, pois combinam diferentes ativos, como renda fixa, renda variável e derivativos, em um único produto.
Essa combinação permite personalizar o investimento de acordo com objetivos específicos, como proteção contra perdas, potencial de retornos superiores ou geração de renda.
Tipos de operações estruturadas
As operações estruturadas podem ser do tipo certificado de operações estruturadas (COE), notas estruturadas, travas ou borboletas.
O COE é um título de renda fixa que oferece retornos atrelados ao desempenho de um ou mais ativos referenciais, como ações, índices ou moedas, enquanto as notas estruturadas são títulos de renda fixa com características semelhantes aos COEs, mas emitidos por instituições financeiras no exterior.
Já travas e borboletas são estratégias, a primeira combinando compra e venda de opções de compra e venda para limitar perdas e definir retornos máximos, e a segunda misturando diferentes opções para explorar a volatilidade do mercado, de forma mais complexa.
O que escolher?
De acordo Renan de Souza, broker da mesa de renda variável da Nomos, as operações com opções mais comuns são as secas, quando o investidor compra uma opção de compra ou ou venda que também vem acompanhada de outras estruturas, como uma trava de alta ou baixa.
Ele destaca também a operação de venda coberta, que aposta na lateralização do ativo para gerar renda em cima de uma posição, e a operação rubi, que faz a mesma a mesma função de apostar na lateralização de um ativo para gerar renda de uma posição, só que de maneira um pouco diferente, oferecendo proteção para quedas e um retorno prefixado em caso de não atingimento de uma barreira de baixa.
“A operação rubi acontece com derivativos não listados e flexíveis, que entrega um retorno pré-acordado na entrada da operação caso o ativo não bata uma barreira de baixa também acordada na entrada, até o vencimento dela”, explicou.
O melhor risco-retorno sempre vai depender do perfil do cliente, segundo o broker. Caso o investidor seja mais agressivo, uma compra de opção seca oferece um risco de retorno muito atrativo.
“O que a gente vai precisar avaliar é a probabilidade que a superação tem de dar certo”, acrescentou.
Renan ressalta ainda que operações com baixa probabilidade de dar certo vão oferecer ótimo risco retorno, enquanto operações com alta probabilidade de darem certo vão oferecer risco retorno um pouco pior. Dessa forma, o ideal é combinar um bom risco retorno com uma alta probabilidade de acerto.
“Essa é a grande sacada das opções”, afirma.
O tipo de perfil de investidor, ele prossegue, também pode variar. Há operações de opções com risco zero, que valem para qualquer perfil, do conservador ao moderado e ao agressivo, enquanto outras operações são restritas apenas para perfis mais agressivos, pois envolvem alavancagem e perdas ilimitadas de capital.
Vantagens
Investir dessa forma “vale muito a pena”, defende Renan, pois é possível personalizar o retorno das operações, diminuindo a distribuição e utilizando derivativos para se proteger de eventos de cauda – eventos de baixíssima probabilidade, que impactam negativamente o mercado de renda variável, como a Covid-19 e a quebra de um banco.
“Então, você consegue usar os derivativos e as opções para diminuir a gama de coisas que podem acontecer com a sua posição, seu patrimônio”, concluiu.