O Ibovespa ultrapassou os 130 mil pontos nesta quinta-feira, alcançando nova máxima histórica. A última vez que o índice havia passado desta marca foi em junho de 2021, e analistas estão otimistas de que o movimento deve se prolongar até o ano que vem.
Sócio-fundador e analista chefe da casa de research que leva seu sobrenome, Victor Benndorf indica que tudo está apontando para a sequência da alta, citando as projeções positivas para a economia brasileira no ano que vem e a desaceleração da inflação.
Por outro lado, o especialista reitera que o mercado, para os próximos meses, “demanda dinamismo”, já que a postura dos bancos centrais pode mudar rapidamente caso algum dado sobre preços ao consumidor aponte para o aumento maior que o esperado da inflação.
“Para o investidor, não dá para comprar e largar, achar que vai andar para sempre, porque o mundo tem sido bastante rápido e existem ainda riscos na mesa”, disse Benndorf. “Mas, por enquanto, vejo um cenário benigno”, concluiu.
Carlos Daltozo, head de Equities da Eleven Financial, sinaliza que o movimento deve continuar em 2024, mas alerta que o cenário exterior ainda pode ser problema para o índice brasileiro. A guerra em Israel e os juros nos Estados Unidos – apesar do olhar otimista do mercado americano – podem causar oscilações no Ibovespa, de acordo com o analista.
Por aqui, o receio fica por conta do panorama fiscal, indicou Daltozo. O Banco Central reforçou ontem, em comunicado emitido após a decisão de mais um corte de 0,50 p.p., a importância de se executar as metas fiscais já estabelecidas para a ancoragem das expectativas de inflação e, assim, para a condução da política monetária.
Apesar dos riscos, o analista aponta que o Ibovespa negocia com um preço sobre lucro abaixo da média histórica de 10,7 vezes, o que sinaliza que a bolsa segue barata.
De acordo com cálculos feito por Daltozo – baseados em um cenário de crescimento de 10% no lucro das empresas do índice e que o Ibovespa negocie a 9,5 vezes no ano que vem –, o índice pode chegar aos 146 mil pontos no final de 2024.
As razões para as altas
Daltozo explica que muitas ações estavam há tempos pressionadas e descontadas e, a partir de novembro, voltaram a ser impulsionadas – movimento que ele denominou como “efeito mola”.
“Nós vimos o setor de consumo e varejo com uma alta significativa tanto em novembro quanto em dezembro também. É o setor de melhor desempenho, mas ele vinha de três, quatro meses muito atrasado.”
Outro ponto trazido pelo analista foi o fluxo de entrada de capital para o mercado brasileiro, especialmente o externo. A entrada de dinheiro estrangeiro na B3 em novembro foi de R$ 21 bilhões, a maior desde 2020.
Benndorf, que já havia comentado o papel do fluxo gringo na alta de novembro, reforçou que o índice segue dependente desta entrada de capital e é “imperativo” que a dinâmica inflacionária americana siga caindo e que o humor dos gringos continue positivo.
Além disso, o analista também afirmou que o risco fiscal segue ameaçando o desempenho futuro do Ibovespa. “O governo tem algo sensível na mesa, é o risco local, é algo que pode trazer volatilidade”, sinalizou. “Não somente se ele [o governo] vai acertar ou não a meta, mas o que ele vai fazer se a meta não for cumprida.”