PDD: a proteção dos bancos contra calotes

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O último balanço do Bradesco decepcionou, mas o que de fato explicou as fortes perdas nos papéis do banco após a divulgação foi o tão falado salto de 116% nas despesas com PDD, “sinalizando que o pior ainda está por vir”, de acordo com Carlos Daltozo, head de research da Eleven Financial.

Mas o que é PDD?

PDD, sigla para provisão para devedores duvidosos, é a reserva de capital que os bancos realizam para cobrir perdas com clientes inadimplentes. 

O banco faz uma estimativa, de acordo com o perfil e o risco do crédito e do cliente, e separa determinada quantia de dinheiro para cobrir possíveis perdas caso a concessão de crédito não seja paga. Em outras palavras, o banco se prepara financeiramente para lidar com o tão famoso calote.

Esta reserva é essencial para a saúde financeira da instituição, pois representa “um colchão de capital que dá tranquilidade nas operações de crédito”, afirma Niels Tahara, head de análise fundamentalista da Benndorf. “Se um banco estiver sub provisionado, as perdas não esperadas irão afetar diretamente o resultado dele”, acrescenta. 

As provisões se dividem em duas, podendo ser específicas ou gerais. As provisões específicas têm relação com operações de crédito de uma instituição financeira em particular, tendo maior vínculo com o perfil do cliente atendido e a linha de crédito da instituição financeira. 

Por exemplo, a PDD específica de um banco que atenda clientes com maior poder aquisitivo provavelmente será bem discrepante da de uma companhia que concede crédito para pessoas das classes D e E, pois os últimos têm maior chance de não pagar. Assim, o último banco precisa reservar mais dinheiro que o primeiro.

Já as provisões gerais, como o próprio nome indica, estão mais voltadas para o cenário macroeconômico e “costumam ser mais imprevisíveis”, diz Niels, “principalmente em tempos de incertezas econômicas”, completa. 

Neste caso, a partir da observação da conjuntura do país e do exterior, os bancos analisam qual deve ser o tamanho da quantia reservada. Carlos explica que, atualmente, vivemos um ciclo de inadimplência mais alta, o que exige um provisionamento maior por parte das instituições financeiras, dado que a perda esperada para um crédito é maior em momentos de contração da economia ou de desemprego mais elevado.

Para a Eleven Financial, o ciclo de inadimplência atual deve alcançar o pico em meados do ano que vem, por volta do segundo trimestre de 2023, e depois “mostrar certo alívio”. Segundo Carlos, neste período, os bancos provavelmente terão reversão ou consumo da provisão feita ao longo do ciclo atual. 

O caso Bradesco

Quanto ao Bradesco, o aumento aconteceu em ambos os tipos de provisão, porém foi mais acentuado nas provisões gerais. Além do maior nível de provisionamento, o índice de inadimplência foi o que apresentou maior alta neste trimestre ante mesmo período do ano passado, avançando 1,3 p.p. no índice acima de 90 dias e com aumento de 0,4 p.p. na inadimplência total. 

O banco também fez um provisionamento adicional de mais de um bilhão de reais, além da provisão requerida por lei, o que chamou ainda mais atenção, demonstrando que a expectativa é negativa para o que vem pela frente.

As ações do banco foram bastante penalizadas após a divulgação, realizada depois do fechamento do mercado em 8 de novembro. No dia seguinte, BBDC4 fechou com perdas de 17,38% e BBDC3, de 16,01%.

A carteira de crédito do Bradesco avançou 2,7% no 3T22 (+13,6% em 12 meses), com destaque para as pessoas físicas, especialmente operações com cartões de crédito e crédito pessoal/consignado. 

O cenário econômico, a inflação e os juros elevados levaram a uma deterioração da capacidade de pagamento dos clientes e consequente aumento da inadimplência, tornando necessárias despesas de provisões acima das expectativas iniciais do banco, segundo Octavio de Lazari Júnior, diretor presidente do Bradesco.

“A inadimplência cresceu no segmento massificado de baixa renda, para pessoas físicas e micro e pequenas empresas. Observando a inadimplência das safras recentes, que já indicam melhoras, e os ajustes que efetuamos em 2022, projetamos que a inadimplência deve se estabilizar e melhorar no decorrer de 2023”, afirmou o executivo.

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