Petróleo aos U$ 90: bom para 3R Petroleum [RRRP3], nebuloso para os bancos centrais

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O barril do petróleo Brent abre a semana cotado a US$ 90, patamar não visto desde novembro passado. O susto começou na terça-feira (05), reacendendo preocupações sobre uma nova escalada da inflação, a qual se pensava estar mais ou menos controlada nas maiores economias do globo. 

Como tudo na economia, a questão é de oferta e demanda. Para se ter uma ideia, a demanda por petróleo já está no mesmo nível pré-Covid, explica Max Bohm, estrategista de ações da Nomos, mesmo com a China em retomada econômica muito aquém do esperado. 

Isto porque a valorização do petróleo não é exclusivamente questão de aumento da demanda. “O que aconteceu foi restrição de oferta com uma demanda crescente, mesmo em um ambiente de desaceleração econômica e patinando no que se refere ao crescimento do PIB.”

Nos últimos anos, houve uma redução progressiva da oferta da commodity, decorrente do fortalecimento da temática ESG – isto é, de países e empresas desestimulando investimentos em poços e campos de petróleo. 

Apesar do desenvolvimento de novas fontes energéticas, diz Max, a viabilidade comercial delas demora a acontecer. Enquanto isso, a necessidade de consumo de petróleo cresce. Assim, dentro do contexto imediato, a expectativa do especialista da Nomos é que  o Brent flerte com os US$ 100 nas próximas semanas. 

Rende trade?

A cotação do petróleo é um dos principais assuntos para a próxima quinzena, reforça a Benndorf Research. Nem tudo é preocupação negativa: a casa vê gatilho de compra para o Brent nos gráficos semanais, possibilitando aumento de exposição às ações do setor petroleiro em geral. 

“O rompimento dos US$ 87,00 marca uma reversão positiva de longo prazo para o Brent”, disseram os analistas em relatório. 

Parte do movimento se explica pelas expectativas de um possível topo de juros nos EUA e apoia-se em uma postura restritiva da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). “Uma melhora na China seria a cereja do bolo.” 

Segundo a Benndorf, a 3R Petroleum [RRRP3] seria uma das mais beneficiadas pelo aumento da cotação da commodity, em conjunto com a Petrobras [PETR3; PETR4]. 

Adicionalmente, os analistas da casa veem uma dinâmica “bem mais leve” para as sucroalcooleiras, “tanto no que tange ao etanol como na precificação do açúcar”. Nesse sentido, a Benndorf vê com bons olhos São Martinho [SMTO3] e Cosan [CSAN3]. 

Como ficam os juros?

Antes do recrudescimento do petróleo aos US$ 90, falava-se em uma inflação mais controlada nos Estados Unidos, Europa e China. No caso desta última, já não havia problema inflacionário, mas “o petróleo poderia desandar esse projeto”, pondera Max Bohm.

Do mesmo modo, um Brent caro poderia desmanchar o trabalho feito pelos bancos centrais dos EUA e Zona do Euro para controlar a inflação via aumento de juros. Foi tal preocupação que jogou para cima os juros futuros ao redor do globo nesta semana, pressionando ativos cíclicos dependentes de crédito barato, inclusive no Brasil. 

O Banco Central Europeu terá reunião de política monetária na próxima quinta-feira (14), enquanto o Federal Reserve (Fed) vai se reunir na semana seguinte, no dia 19. Para Max Bohm, a questão do petróleo certamente estará em pauta nos dois encontros. 

Até então, o plano das duas autoridades monetárias, a julgar pelos recentes discursos de integrantes, parecia convergir para uma estabilização dos juros e mesmo possíveis cortes em 2024.  Agora, “a questão é se o petróleo pode interromper esse plano”.

Max não acredita em uma mudança de planos por conta do petróleo, a não ser que o barril supere os US$ 100 com força – algo improvável para o especialista. “O petróleo deve ficar no intervalo de US$ 85, US$ 95, não não subindo tanto, não se valorizando tanto a ponto de causar uma preocupação mais exacerbada”, tranquiliza.

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