Você decidiu, finalmente, começar a investir. O próximo passo – e o mais difícil – é o seguinte: lidar com o excesso de informações e escolher em qual ação, fundo ou título colocar seu dinheiro. Sem instruções suficientes, é aqui que o iniciante pode começar a trajetória financeira com o pé esquerdo.
Quando o conhecimento vem de casa, como foi para Rodrigo Cohen, analista CNPI e co-fundador da Escola de Investimentos, é mais fácil ser influenciado a fazer boas escolhas. Cohen contou que fez seu primeiro investimento na Bolsa há 23 anos, em 2000, e seus pais foram grandes incentivadores.
“Eu fui muito influenciado pelos meus pais nesse quesito, vendo que a gente poderia fazer o nosso patrimônio crescer e ao mesmo tempo usufruir do que ele poderia trazer”, destacou.
O pai de Max Bohm, estrategista de ações da Nomos, também sempre gostou de investir na Bolsa, o que fazia com que o assunto fosse recorrente em sua casa. Ele também destaca conversas com grupos de amigos como boa fonte de aprendizado.
Sendo esse um bom pontapé inicial para quem ainda não sabe por onde começar, o estrategista diz que, se estivesse começando a investir agora, não seguiria pessoas na internet que não tivessem boa reputação no meio ou experiência para falar sobre o tema.
“Investimento em ações requer vivência, experiência, e muita gente na internet fala sem ter os fundamentos necessários para poder recomendar um ativo”, argumentou.
O maior erro na trajetória do investidor iniciante é não ter objetivos em mente, de acordo com Cohen. O analista destacou que as pessoas começam a investir sem a menor ideia do futuro e “saem botando, botando e botando” dinheiro sem metas de curto, médio e longo prazo, e consequentemente não se comprometem.
“Você não é jovem para sempre e não tem força de trabalho e inteligência para sempre. O dinheiro que está investindo hoje não é só para comprar um carrão, mas sim para ficar tranquilo quando for mais velho”, afirmou.
Cohen também frisou sobre a necessidade de reinvestir. Segundo o analista, é comum que pessoas invistam, ganhem dinheiro e queiram usar imediatamente, mas o ideal seria, se possível, reutilizar a quantia, pois faz uma diferença “muito grande”.
Para Beto Saadia, outro erro do iniciante é querer focar na teoria, nas fórmulas, na operação, diversificação, cálculos, para, no fim das contas, entender que o mais importante é o fator psicológico, que determina grande parte do sucesso do investidor.
Ele relembrou que o primeiro prêmio Nobel de economia ligado a finanças comportamentais é de 2002, ou seja, de certa forma recente, e o tema era pouco sabido na época que começou a investir. Por outro lado, o diretor ressalta que a psicologia do investidor é mais proeminente e mais faculdades buscam ensinar o tópico atualmente.
Apesar de nunca ter cometido um grande erro que o comprometesse, Saadia vê o desenvolvimento do mental como necessário, pois, durante a trajetória, é comum que aconteçam vários pequenos erros, que levam o investidor a amadurecer e aprender a escolher as melhores oportunidades para si.
“É como no futebol. Às vezes, você faz uma boa jogada, bem coordenada e sincronizada, mas, por algum azar, o gol não sai. Isso faz parte do processo”, argumentou. “Todo arcabouço técnico e teórico ajuda, mas que está longe de ser suficiente”, disse.
No fim, a lição que fica é que investir é sempre uma maratona para longo prazo, não uma corrida de 100m. Segundo Rodrigo Cohen, o mais importante é não achar que é possível multiplicar o patrimônio de um dia para o outro, sem correr risco nenhum.
“E, mesmo aceitando o risco, só acontece de forma rápida e fácil nos filmes ou nas redes sociais, que a gente não sabe se é verdade ou não. Na maioria das vezes, não é”, concluiu.