As vendas no varejo brasileiro cresceram 0,8% em março, ante fevereiro, contrariando as expectativas de contração de 0,8% do mercado. Em relação a março de 2022, o indicador registrou alta de 3,2%. O comércio varejista ampliado registrou variações de 3,2% m/m e 8,8% a/a. Três das oito atividades do comércio varejista tiveram taxas positivas, com destaque para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (7,7%), que foi seguido por Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,7%) e Móveis e eletrodomésticos (0,3%).
Do lado negativo as principais variações vieram de Tecidos, vestuário e calçados (-4,5%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,2%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (-0,6%). A atividade de Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo ficou estável (0,0%). No comércio varejista ampliado, o Material de construção variou 0,2%, enquanto Veículos e motos, partes e peças cresceu 3,7%.
Na comparação com o mesmo mês de 2022, cinco atividades expandiram, sendo as principais Combustíveis e lubrificantes (14,3%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (6,8%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (4,5%).
As quedas ficaram com Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-12,9%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-8,0%) e Tecidos, vestuário e calçados (-7,3%). No comércio varejista ampliado, Veículos e motos, partes e peças (10,7%) e Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (5,6%) tiveram as
variações positivas à medida que o Material de construção caiu 5,1%.
O resultado de março surpreende bastante, dado que o nível de atividade da economia brasileira já estava decaindo impactado pela retomada do desemprego, inflação muito elevada, inadimplência e endividamento recordes e condições ruins de crédito. Como essas condições tendem a permanecer durante grande parte do ano, com algum potencial alívio no segundo semestre com prováveis os cortes de juros e a aceleração da retomada chinesa, esperamos que o varejo perca ritmo e apresente resultados piores nos próximos meses.