As vendas no varejo brasileiro recuaram 0,1% em fevereiro, contrastando bastante com a alta expressiva de 3,8% registrada em janeiro, mas em linha com as expectativas do mercado (-0,2%). Em relação ao mesmo período do ano passado, o volume de vendas avançou 1%. Já o varejo ampliado cresceu 1,7% entre meses e caiu 0,2% entre anos.
Seis das oito atividades pesquisadas tiveram variações negativas em relação a janeiro. As variações mais expressivas vieram de Equipamentos e material para escritório informática e comunicação (-10,4%), Tecidos, vestuário e calçados (-6,3%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,0%).
As únicas atividades a crescer foram Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (1,4%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (4,7%). As duas atividades do varejo ampliado cresceram: Veículos e motos, partes e peças (1,4%) e Material de construção (-2,0%).
Os grupos Equipamentos e material para escritório informática e comunicação e Tecidos, vestuário e calçados foram os dois principais destaques de janeiro, mês que foi marcado por promoções para incentivar as vendas que não aconteceram durante a Black Friday e as festas de fim de ano.
Diante da queda desses grupos em fevereiro, nota-se que as promoções foram descontinuadas e houve menos estímulo ao consumo.No mais, os grupos que cresceram estão relacionados à sazonalidade de fevereiro, mês em que ocorrem reajustes de alguns medicamentos e o ano letivo se inicia, impulsionando as vendas dos grupos Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria e Livros, jornais, revistas e papelaria.
Em relação a fevereiro de 2022, também seis atividades recuaram, com maior relevância para outros artigos de uso pessoal e doméstico (-12,9%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-9,5%) e Tecidos, vestuário e calçados (-9,2%). Os únicos setores a avançar no período e carregar o resultado foram Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,0%) e Combustíveis e lubrificantes (19,7%).
No comércio varejista ampliado, as três atividades tiveram contração: Veículos e motos, partes e peças (-1,5%), Material de construção (-5,9%), e Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-9,5%).
O resultado de fevereiro mostra uma sustentação do patamar de janeiro após a recuperação dos resultados negativos dos últimos 2 meses de 2022, o que já era esperado pelo mercado e, portanto, é positivo.
Contudo, ainda vemos uma deterioração do cenário macroeconômico, de modo que as vendas no varejo devem retomar a trajetória de queda nos próximos meses, influenciadas pelos novos aumentos do desemprego, informalidade elevada, inadimplência e endividamento recordes, renda real baixa e juros altos. Simultaneamente, entendemos que a queda da inflação e a retomada chinesa devem auxiliar o setor a partir do segundo semestre, quando esperamos
cortes na taxa de juros.