O gestor e sócio de agronegócio da Riza Asset Paulo Mesquita comentou sobre o cenário atual do agronegócio brasileiro e sua perspectiva em relação aos fundos de investimentos no setor no evento “Café com Gestor: Fiagro no Mercado de Capitais Brasileiro”, realizado nesta terça-feira (27) pela BRA BS/.
Conhecido como Fiagro, o fundo de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais é uma junção dos recursos de vários investidores para a aplicação em ativos de investimentos do agronegócio, sejam eles de natureza imobiliária rural ou de atividades relacionadas à produção do setor.
A participação do agronegócio no PIB do país tem notável relevância. No biênio 2020-21, o setor alcançou recordes, tendo representado 26,6% do PIB em 2020 e atingindo 27,4%, em 2021. O mercado agrícola apresenta franco crescimento e tem forte perspectiva de se desenvolver, afirmou Paulo. “Ao longo dos últimos seis anos, o agronegócio cresceu algo em torno de 16% no Brasil. Isso é muito maior do que o próprio mercado brasileiro veio crescendo”, acrescentou.
Os fortes resultados são fruto de uma certa independência do cenário nacional e o maior alinhamento à demanda por commodities e ao crescimento global e de renda, de acordo com o gestor. Apesar disso, os fundos de investimento na área são recentes e foram regulamentados no meio do ano passado pela CVM – diferentemente dos fundos de investimento imobiliário (FII), por exemplo, que possuem legislação desde 2008 e apresentam mercado consolidado.
Embora o agro possua grandes benefícios, o mercado de capitais adotou primeiro os FIIs, devido à melhor organização do setor, em função da criação da regulamentação imobiliária, explicou ele, que ocorreu após problemas de entrega de imóveis por parte das construtoras. “O setor de agro ainda é muito disperso, ele vem se organizando ao longo do tempo, mas acho que essa organização facilitou para o mercado imobiliário”, afirmou.
Cerca de 1,7 milhões de pessoas investiram em FIIs em junho de 2022, movimentando R$ 101 bilhões, enquanto os números são mais singelos em relação aos Fiagros, com aproximadamente R$ 3 bilhões e 65 mil investidores.
Ainda assim, Paulo aposta nos fundos agro. “A gente acredita que os Fiagros vão bater os fundos imobiliários em 10 anos, […] porque a demanda do setor é muito maior”. Ele ainda menciona “ótimas garantias”, possibilidades de criar diversos tipos de produtos e a demanda de crédito em torno de R$ 850 bilhões como outras vantagens.