As ações dos frigoríficos amargam perdas em bloco nesta terça-feira (04). Mas, após a valorização expressiva de boa parte do setor em maio, a queda de hoje é boa notícia, segundo o analista técnico Filipe Borges, principalmente em relação à Marfrig [MRFG3].
As ações da companhia de Marcos Molina são as que mais chamam a atenção do analista no segmento de proteína animal. Filipe também comentou o desempenho da BRF [BRFS3] e da JBS [JBSS3], que ainda se mantêm “em uma boa tendência de alta”.
Todavia, a Marfrig ganha destaque do ponto de vista da relação risco-ganho – a proporção do tamanho do stop para o objetivo que a movimentação gráfica oferece, explica o especialista.
Segundo Filipe, MRFG3 traçou “excelente movimentação de alta” e aponta agora para “uma ótima correção”, que vem de forma lenta e com pouco volume vendedor.
O analista espera correção entre R$ 11,20 até cerca de R$ 10,80 para uma nova operação na ponta compradora, cujo alvo seriam inicialmente R$ 12,15. Uma vez rompida a antiga resistência dos R$ 13, Filipe tem R$ 14,90 por alvo final da operação.
De fato, as ações das três companhias acumulam ganhos de dois dígitos em 2024, enquanto o Ibovespa soma em torno de 9% de queda no ano. O desempenho de maio, especificamente, deve-se muito à surpresa positiva com os balanços trimestrais.
As três empresas divulgaram resultados acima do esperado para o primeiro trimestre, disse João Abdouni, analista da Levante Inside Corp. A tendência no geral é positiva, principalmente para a divisão de ovinos e suínos.
Enquanto a JBS foi alavancada com perspectivas mais favoráveis, um dos destaques mencionados em relatório do Santander, na BRF, o ponto mais alto foi o processo de reestruturação. Há expectativa de melhorias nas margens da empresa, e o Bank of America (BofA) chegou a elevar a recomendação da companhia de underperform para neutra no mês passado.
A Marfrig, que possui fatia superior a 50% na BRF, seguiu na mesma linha, ainda que o mercado de carne bovina americano siga impactando os indicadores, completou o time da Investing.
Agora, a perspectiva é de “alguma recuperação na proteína animal na América do Norte, onde as margens seguem pressionadas, enquanto nas divisões de América do Sul e Austrália os números devem seguir favoráveis pelas companhias ao menos no curto prazo”, descreveu Abdouni.
A preferida da Levante é a JBS, cuja principal operação de proteína animal bovina fica nos EUA e tem “bom potencial de destravamento de valor para os próximos 12 a 18 meses”.
Em meio a essa recuperação dos frigoríficos, a Minerva [BEEF3] ficou “esquecida no churrasco”. As ações subiram apenas 1,31% em maio, acumulando quase 17% de queda no ano. A companhia encerrou o mês em busca de aprovação do governo do Uruguai para a compra de unidades da Marfrig. Segundo Filipe Borges, as ações não apresentam nenhuma oportunidade de compra no momento.