O risco é a prerrogativa básica dos investimentos no mercado financeiro, mais evidente ainda em operações das modalidades day ou swing trade. A primeira, especificamente, tem como forte característica a alavancagem – isto é, a negociação de valores que excedem o saldo em conta do trader.
Diante do óbvio potencial de amplificar os lucros, não raro aspirantes a day trader deixam a racionalidade de lado ao posicionarem-se alavancados.
Não calcular a disponibilidade individual de correr riscos é o primeiro passo para ter a alavancagem como inimiga. No entanto, o recurso pode ser benéfico, afirma Filipe Borges, analista técnico da Benndorf Research, “mas tudo com base em quanto você aceita perder por operação financeira”.
Por exemplo, no day trade, em momentos de volatilidade mais baixa, é permissível ter uma alavancagem maior. Entretanto, caso o contrário aconteça, é obrigatoriamente necessário trabalhar com uma alavancagem menor
Dessa forma, é possível controlar o capital para montar uma estratégia equilibrada entre taxa de acertos e risco de ganhos. Só assim é possível limitar as perdas do valor disponível.
Já na modalidade de swing trade, é bastante incomum trabalhar alavancado, prossegue Filipe. Normalmente as corretoras disponibilizam um limite menor para realizar a operação, afinal o risco é naturalmente maior e não controlável. A perda pode ser sistêmica e sem capacidade de proteção em caso de eventos atípicos, por exemplo.
“Não é preciso acertar 90% da operação para ser lucrativo. Atingir 50% ou até mesmo 40%, com uma boa gestão de risco é suficiente para confirmar um nível de alavancagem saudável”, pondera o especialista da Benndorf.
Em suma, o uso da alavancagem em qualquer operação requer uma gestão de risco severa, de forma que a escolha do valor de entrada seja aceitável a uma perda eventual de 100% do montante investido.
Pensamento estratégico
João Tonello, também analista técnico da Benndorf, destaca quatro elementos indispensáveis de se considerar na montagem de uma operação alavancada:
1) Perdas maiores: como a alavancagem amplifica o potencial de lucro, também amplifica o risco de perdas significativas.
2) Volatilidade: os ativos alavancados tendem a ser mais voláteis, o que pode resultar em grandes variações de preço em curtos períodos de tempo.
3) Chamada de margem: se o valor da posição alavancada cair abaixo de um determinado nível, a corretora poderá exigir que o investidor forneça mais capital para manter a posição.
4) Endividamento: se a posição alavancada resultar em perdas, o investidor pode acabar devendo mais do que o valor original do investimento.
Examinar a própria ganância e fazer de tudo para eliminá-la é essencial para uma estratégia realista de day ou swing trade. Como em quase tudo na vida, observar os passos dos mais experimentados – neste caso, traders de longa data – também ajuda a não cair nos erros já cometidos por outros.