Três ondas insurgiram-se no mercado nos dois primeiros meses de 2023, definiu Ricardo Espíndola, gestor de crédito da Porto Asset.
O modelo é uma explicação simplificada para este início de ano turbulento, do qual Espíndola relata muitas ligações de clientes em busca de um norte para entender o que se passa.
As primeiras duas ondas foram em janeiro: “evento Americanas” [AMER3] e “evento Light” [LIGT3]. Nelas, explica o gestor, “basicamente os ativos passaram por uma grande reprecificação, que trouxe volatilidade para a indústria de crédito”.
A terceira onda chegou em fevereiro, e consiste na reprecificação do mercado de modo mais amplo, apesar da ausência de qualquer evento específico no mercado de crédito. A volatilidade resultante do evento historicamente traz resgate para a indústria de fundos.
“No momento que os investidores precisam vender ativos ao mesmo tempo, muitas vezes a gente vê um evento, um fenômeno chamado ‘over shooting’. Quer dizer, as taxas sobem rapidamente e o preço dos ativos cai.”
Agora em março, prossegue Ricardo Espíndola, o cenário inicial é de certa estabilização, “principalmente nos ativos de qualidade”. Os ativos ficaram relativamente baratos, segundo Espíndola, após a reprecificação do mês anterior, atraindo grandes players do mercado.
“Fundos multimercados, seguradoras, tesourarias, investidores que têm visão de longo prazo olhando ativos de qualidade e com bons preços. Tudo isso tem trazido uma estabilização na questão da liquidez”, pondera o gestor.
De acordo com Espíndola, os fundos da Porto estão “prontos para pegar a volta do mercado”.
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