O pessimismo tem tomado conta do mercado nos Estados Unidos. Grandes jornais, como The Wall Street Journal, e analistas têm pontuado perspectivas negativas para os investimentos neste ano.
A recente onda de demissões em grandes empresas, como Amazon, Spotify, Meta, Twitter e Alphabet, são uma métrica de recessão, segundo Gerson Brilhante e Roberto Coutinho, analistas internacionais da Levante Corp.
E essa lista não se restringe às empresas de tecnologia. Ford, a empresa automobilística, por exemplo, planeja demitir aproximadamente 3.200 empregados. O ano passado fechou com mais 5,7 milhões de desempregados nos EUA. Deste número, o setor de tecnologia é responsável por 150 mil, ou seja, as demissões no segmento representam apenas 2,6% de todos os layoffs.
“Naturalmente, todos esses números ajudam a reduzir o ímpeto do forte mercado de trabalho nos EUA, um dos pilares por detrás do surto inflacionário atual, o maior em 40 anos”, afirma Rodrigo Correa, estrategista de investimentos da BRA BS/.
Tais iniciativas são “claramente movimentos individuais”, complementa Correa. Segundo ele, a alta administração de cada uma das empresas tem como objetivo mantê-las ágeis perante um momento macroeconômico mais desafiador. Logo, é possível que já estejam impactadas, experimentando um ritmo de vendas menor, ou por pura expectativa da tão temida recessão.
No entanto, a nova onda de demissões ainda não se converteu no aumento da taxa de desemprego, explicam os especialistas da Levante. “Mesmo assim, o mercado encara isso como positivo, pois aumentando o desemprego, a tendência é que a inflação diminua e o Federal Reserve comece a debater o fim do ciclo de alta de juros.”
Apesar de um “mau momento” da economia dos EUA, continua valendo a pena para o investidor brasileiro dolarizar a carteira. “Pensando na alocação estratégica, que é construída sobre um horizonte de investimento longo, é prudente que o investidor detenha uma carteira diversificada”, reitera Gustavo Herkenhoff Moreira, Coordenador dos MBAs de Finanças do Ibmec.
A diversificação inclui o investimento em diferentes classes de ativos, diz Moreira, como renda fixa, renda variável e investimentos alternativos. Tal característica permitirá ao investidor “ganhar exposição a ativos cotados em outras moedas, elevar sua diversificação setorial (visto que a bolsa brasileira carece de empresas de diversos setores, ao mesmo tempo que é concentrada em poucas indústrias), além de elevar a diversificação econômica e geográfica”, afirma ele.
Brilhante e Coutinho ainda alertam para as incertezas fiscais no país. “No Brasil, dizem que até o passado é incerto. Dessa forma, acreditamos que no meio de políticas fiscais incertas, existe um potencial muito grande para a desvalorização do real”, afirmam.
Além disso, os analistas apontam para a grande instabilidade política brasileira, “que também pode prejudicar as pautas econômicas”, fazendo com que o dólar tenha uma escalada na valorização.