Hedge: como e quando proteger sua carteira

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Em um momento pré-eleitoral turbulento e pouco previsível, é possível que você já tenha ouvido falar sobre “hedgear carteira”. O termo vem da palavra hedge, em inglês, que significa barreira. No mercado financeiro, “fazer hedge” significa realizar uma operação com o objetivo de proteger o patrimônio de uma carteira de investimentos.

O mercado está suscetível a acontecimentos inesperados. Eventos negativos fazem com que ele caia de forma brusca, mas a recuperação ao mesmo patamar tende a levar mais tempo. 

Um exemplo recente foi a pandemia de Covid-19, que pesou nas economias globais e impactou com mais força as emergentes. Entretanto, o coronavírus não foi o primeiro caso e nem será o último. No gráfico abaixo, é possível ver alguns exemplos, como a greve dos caminhoneiros em 2018 e a reforma da previdência durante o governo Temer.

Fonte: XP Investimentos

Independentemente do perfil do investidor, Marcus Vinicius Leoncio, assessor da Mesa Private da BS/ Investimentos, explica que, em situações de estresse de mercado, todas as classes de ativos podem ser impactadas. Por isso, não importa se o investidor opera mais em renda variável ou em renda fixa, o hedge servirá para evitar impactos maiores.

Em meio à incerteza do cenário brasileiro, junto à inflação global e desaceleração econômica, cria-se uma oportunidade interessante para ter certo nível de proteção na carteira, afirma o head de análise fundamentalista da Benndorf Niels Tahara.

“No cenário de eleição, o mercado fica com a volatilidade muito alta. Então é necessário se hedgear em um pedaço da operação pelo menos, no mínimo entre 20% e 50% de hedge”,  complementa Alexandre Achui, sócio e assessor da Mesa Private de ações da BRA.

Marcus Vinicius alerta para que a análise do mercado seja minuciosa, a fim de identificar se o portfólio realmente carece de proteção, ”pois, fazendo no momento errado ou mantendo o hedge por mais tempo que o necessário, o crescimento da carteira do investidor pode ser anulado”.

“É importante ressaltar também que o hedge não eliminará todo o risco, além de também ter um custo que deve ser levado em conta”, diz Niels Tahara.

Como hedgear a carteira

Existem diversas formas de se proteger, e a estratégia usada vai depender dos ativos que você possui.

Em relação à carteira de ações, “o ideal é vender BOVA11, o ETF que representa a oscilação do Ibovespa”, recomenda Alexandre. Esse tipo de aplicação busca desempenho superior ao do Ibovespa, mas ambos operam com certo alinhamento. Logo, mantendo uma posição comprada e, ao mesmo tempo, vendida em BOVA11, se a bolsa desvalorizar, ainda haverá retorno positivo – compensando parte do prejuízo que a carteira provavelmente terá.

“Nesse caso, o risco é a alta do mercado, pois, como entra short (vendido) em BOVA11, quanto mais a bolsa subir, maior o prejuízo”, explica o assessor da BRA. Entretanto, vale lembrar ainda que a carteira provavelmente estará se valorizando com o movimento, já que foi montada justamente para superar o principal índice. “Por isso, é importante saber o momento para ‘desmontar’ o hedge, já que, se o mantiver em um mercado de alta, isso pode anular os seus ganhos com a carteira”, complementa.

Comprar dólar ou ouro também pode ser considerado estratégico, já que são ativos que costumam valorizar em momentos de estresse do mercado.

Além disso, Niels indica a venda de contratos futuros do Ibovespa como alternativa para se proteger de perdas em carteira de ações à vista. “Outra forma de proteger a carteira é a venda de fundos de índices que busquem replicar o mercado de ações. Assim, caso haja uma queda no mercado como um todo, o investidor irá ganhar na ponta vendedora”, acrescenta.

Para quem tem grandes posições em renda fixa, é necessário saber escolher um produto alinhado à sua necessidade de liquidez. Marcus explica que é importante identificar seu perfil e balancear as opções para fazer escolhas assertivas, pois, caso precise sacar o dinheiro antes do vencimento, é provável que tenha grandes prejuízos. Entretanto, se mesmo assim desejar proteger essas posições, ele aponta opções como Swap ou juros futuros, pois podem compensar eventuais baixas nos rendimentos.

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