Os analistas Max Bohm e João Tonello compartilharam suas visões sobre o desempenho de AVGO34, VULC3, UGPA3, BEEF3, CRFB3, USIM5 e ELET6 na live do Ação e Reação desta semana, veiculada pela Nomos TV e realizada na última segunda-feira (29).
Broadcom [AVGO34]
Call de compra
A companhia, que faz semicondutores e chips, é muito inserida na nova dinâmica de inteligência artificial, e passou por 100% de valorização nos últimos 12 meses, de acordo com Max. Ele destacou ainda que a Broadcom está “no celeiro de grandes ideias” da tecnologia, na Califórnia, onde nasceram o Facebook e a Apple.
A empresa tem valor de mercado US$ 570 bilhões. Em 2024, a ação está subindo 9%.
No valuation, ele prosseguiu, não é uma empresa barata, negociando a múltiplos “bem esticados”, de 26 vezes Preço/Lucro (P/L) até o fim de 2024.
“Ao comparar com outras empresas de tecnologia como Nvidia e Microsoft, há um desconto. Se você acredita na tese da inteligência artificial, tem que ter AVGO34”, afirmou.
Graficamente, é compra, segundo Tonello. O analista explicou que ainda há espaço para crescimento, com alvo em 50% de valorização.
“Se a empresa conseguir entregar bons resultados, ela dispara”, ele pontuou.
Tonello indicou stop mais longo, de 15%, visando movimentação de valorização, a R$ 72,63, em busca de movimentação de valorização de 35%. com alvo em R$ 116,52.
Vulcabras [VULC3]
Call de venda
Max frisou que VULC3 andou 74% em 12 meses, além de ser um papel que mostrou ótimos resultados no ano passado, melhora de margem bruta, crescimento de receita e margem Ebitda.
Recentemente, a empresa anunciou que quer fazer oferta primária de até R$ 500 milhões, para aumentar a liquidez do papel, gerar caixa e distribuir dividendos, o que o analista aponta como negativo.
Por outro lado, ele destacou que apesar de estar no high histórico, não é um papel caro, sendo negociado a 8 vezes Preço/Lucro (P/L) e 6,5 vezes EV/Ebitda.
“Na visão fundamentalista, eu não teria VULC3 no momento. Acho que há outras opções no varejo mais interessante, apesar de reconhecer que a empresa tem feito um ótimo trabalho e que mostra resultados diferenciados”, sugeriu.
Nos gráficos, Tonello mostrou que o mercado absorveu duas vezes a região de resistência, teve movimentações de máximas muito bem marcadas, mas demonstrou dificuldade e resiliência para novas movimentações de alta.
Ele explicou que o mercado marcou uma pinça de topo e vem com novas movimentações de queda.
“A data do follow-on, 6 de fevereiro, será o momento de ponta vendida. Outra forma de vender o ativo é no caso de um fechamento abaixo de R$ 18,27, com rumo aos R$ 16,22”, indicou.

Ultrapar [UGPA3]
Esperar momento
O papel foi um dos destaques de 2023, pois subiu mais de 100% e está na máxima histórica, de acordo com Max. Ultrapar não tem múltiplos baratos, negociando a 26 vezes P/L e 8 vezes EV/Ebitda.
“As projeções de lucro para 2024 não mostram crescimento, ou seja, a empresa vai ficar estável em relação a 2023. Nesse contexto, eu não compraria Ultrapar”, aconselhou.
Graficamente, Tonello utilizou como referência a média de nove períodos (mm9) – últimos nove fechamentos dos últimos nove candles –, que demonstrou movimentação de pivô de alta, rompimento de máximas da semana e aceleração.
Nesse momento, o analista propôs esperar o fechamento abaixo da média nove para fazer vendas. Outro gatilho de venda seria fechamento do papel abaixo de R$ 27.
Minerva [BEEF3]
Esperar momento
A empresa está negociando a 7 vezes Preço/Lucro, 4,7 vezes EV/Ebitda e possui dividend yield de 6%, acima da média da Bolsa, segundo Max. Além disso, o papel está R$ 7, perto das mínimas históricas.
O analista acredita que BEEF3 pode dar um repique, principalmente no segundo semestre de 2024, chegando aos R$ 11 rapidamente.
“Claro que o papel está mais alavancado porque fez um movimento agressivo de aquisições dos frigoríficos da Marfrig, de R$ 7,5 bi, mas esses ativos vão começar a gerar muito caixa quando o Cade aprovar a aquisição”, pontuou.
Nos gráficos, Tonello explicou que entradas seguras no ativo no fechamento devem ser feitas apenas acima de R$ 7,79.
Caso o investidor queira forçar a entrada, no intuito de um repique “mais poderoso”, a entrada pode ser feita no rompimento de R$ 7,30, a qualquer momento, ele ressaltou.
“É uma movimentação de risco, mas um bom timing de entrada para retomada do ativo”, afirmou.
Carrefour [CRFB3]
Esperar momento
O papel está caindo 16% esse ano, enquanto o Assaí [ASAI3] sobe 6%, o que abre um gap, de acordo com Max.
Ele comentou que CRFB3 negocia a 4,9 vezes EV/Ebitda e 11 vezes P/L, enquanto Assaí negocia a 6.7 vezes EV/Ebitda e 18 vezes Preço/Lucro.
“Ou seja, o Carrefour, que sempre negociou perto do par, está negociando com desconto gigante”, acrescentou.
Graficamente, Tonello explicou que há movimentação de long & short – quando o investidor seleciona duas ações, com algum tipo de relação, esperando que uma delas irá subir e a outra irá cair.
Dessa forma, ele sugeriu compra de Carrefour e venda de Assaí seria a operação certa a se fazer.
“Nesse momento, o ativo continua para baixo e o alvo de queda do Carrefour é de R$ 9,85. Perto de R$ 9,70, eu abriria compra de CRFB3 e venda de ASAI3”, disse.
Usiminas [USIM5]
Não é o momento
Max destacou que a empresa negocia 5 vezes EV/Ebitda, 12 vezes Preço/Lucro e sobe 14% no acumulado de 12 meses. Neste ano, ainda segue no zero.
Na siderurgia, o analista prefere Gerdau [GGBR4;GOAU4], pois a companhia é mais barata, está menos alavancada e negocia com múltiplos mais baixos. Além disso, ele considerou a possibilidade do governo lançar um imposto de importação para o aço, visto que o Instituto Aço Brasil – associação do setor – tem pressionado por novas medidas.
“Se o Instituto conseguir convencer o governo sobre a importância do tributo, a Usiminas será a mais beneficiada”, falou.
Nos gráficos, o ativo não traz desempenho muito bom, e a taxa de acerto é bem baixa, segundo Tonello.
Por outro lado, ele prossegue, há um padrão sendo formado em USIM5, chamado Tasuki gap – compra do fechamento do jeito que está – com stop no R$ 8,82. “Há setup técnico, mas eu não clico”, afirmou.

Eletrobras [ELET6]
Não é o momento
Max pontua que o setor elétrico está todo perto da máxima histórica, enquanto a Eletrobras ficou para trás ao longo de 2023 com a saída do CEO, além da turbulência criada pela possibilidade de reestatização da companhia.
Por conta disso, o papel ficou com valuation atrativo, negociando 6,6 vezes EV/Ebitda, 8 vezes Preço/Lucro e gerando 7% de yield, “com muito desconto em relação ao setor”.
“Ele virou o queridinho dos bancos e corretoras”, comentou.
Graficamente, Tonello frisou que ELET6 está trabalhando no mesmo preço, com movimentações iguais de baixa e alta alternadamente, desde 2021, e não se desenvolve.
“Não tenho análise nem positiva, nem negativa”, conclui.
Assista à live completa: