Novo fator de risco

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Não bastavam os sinais confusos do mercado de trabalho dos EUA. O cenário internacional ganhou um novo fator de estresse após o ataque surpresa do fim de semana do Hamas contra Israel, que contra-atacou imediatamente — e os preços dos ativos agora passam a incorporar o conflito numa região colada aos grandes produtores de petróleo.

Outubro já havia iniciado com a ampliação dos temores com a inflação global e perspectivas de ampliação do ciclo de juros altos nos EUA, com reflexos claros sobre o Ibovespa e real, que foram aos menores valores do semestre. Desde junho o Ibovespa não atingia valor tão baixo, enquanto o dólar ultrapassou os R$ 5 e já dava sinais de que permaneceria acima deste patamar pelos próximos meses.

O câmbio é sempre uma das variáveis mais complexas para se prever, pois, mais que qualquer outra, sofre com influências internas e externas. Neste momento, o grande fator parece ser a incerteza sobre a política monetária do Fed.

Sob o risco de a resiliência da atividade econômica sustentar um elevado patamar de inflação, a possibilidade do banco central norte-americano realizar novas altas dos juros se elevou nas últimas semanas. Isso amplia o diferencial entre os juros externos e por aqui. Quanto menor esta diferença, aumenta o fluxo de recursos para mercados mais desenvolvidos, o que tende a desvalorizar nossa moeda (real).

O real sofre pressão adicional devido à persistente incerteza fiscal que o governo brasileiro ainda precisa resolver devido ao risco de não cumprimento da meta de resultado primário em 2024. O mercado não é ingênuo e já embute nos preços a perspectiva de que a meta não será cumprida.

O que parece estar em jogo é sobre como o governo conduzirá o tema, preferencialmente sem mudança da meta e ao menos se aproximar de um equilíbrio das contas com algum contingenciamento de gastos. Alterar a meta pode ser a pior das sinalizações.

No fim, é sempre sobre previsibilidade e confiança.

O primeiro pregão pós-eclosão do conflito Hamas-Israel mostrou o comportamento padrão do mercado, em primeiro momento evitando ativos tradicionalmente arriscados, como ações, e comprando ouro, títulos e dólar. Diante da falta de clareza sobre o real efeito do conflito sobre a economia mundial, os investidores se focaram no que tem impacto imediato, superando o movimento inicial que provocou perdas nas bolsas.

A princípio, enquanto não se trabalha com uma ampliação do conflito, o impacto sobre os preços se limitou sobre o que se tem maior certeza, com destaque para o petróleo.

Pensando no que temos pela frente neste mês, a temporada de balanços do terceiro trimestre se inicia já nesta primeira semana nos EUA, onde os investidores esperam uma temporada de lucros sólidos, enquanto por aqui as divulgações começam somente nos últimos dias de outubro. A dúvida é quanto uma possível desaceleração da atividade se refletiu sobre os resultados das empresas.

Como a inflação é um tema central para o comportamento dos mercados, as divulgações de IPCA-15, CPI e PPI poderão dar maior previsibilidade para as próximas reuniões de política monetária nos EUA e Brasil.

No último dia do mês começam as reuniões do Copom e Fomc, com finalizações no primeiro dia de novembro. No momento, enquanto os yields dos treasuries mostram altas taxas, a possibilidade de que o Fed eleve os juros parece cada vez mais fazer preço. Por aqui a aposta majoritária ainda segue no corte de 0,5 p.p., mas ao mesmo tempo se amplia a perspectiva sobre a Selic terminal, ou seja, o percentual no qual o Copom deverá encerrar o atual ciclo de afrouxamento.

As questões fiscais internas também devem apresentar evolução ao longo do mês, com perspectiva de votação do projeto que taxa os fundos exclusivos e offshores para o dia 24.

Diante desse cenário que indica juros maiores, parece mais provável que as ações mais sensíveis a esta variável, como as small caps, fiquem mais pressionadas no curto prazo. Com maiores taxas de desconto, puxadas pelos juros altos, as projeções para o Ibovespa ao final do ano começam a sofrer revisões para baixo, talvez para algo próximo dos 124 mil pontos.

Com a queda da diferença entre juros internos e externos e os temores fiscais, o dólar tende a permanecer forte, acima dos R$ 5,10. Na renda fixa, os riscos fiscais ampliaram os ganhos exigidos para os títulos do Tesouro Direto, com taxas voltando a patamares atrativos, como as NTN-B com taxa real próximas de 6%.

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