“Boa Sorte Day” e o recado do mercado para o novo governo.

O secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Henrique Meirelles, fala durante o seminário “Como resolver a crise dos Estados”.

Todo investidor mais experiente sabe que, de tempos em tempos, sem aviso prévio, somos surpreendidos por grandes movimentos de mercado que pegam a todos desprevenidos e não raras vezes trazem pânico àqueles com menos tempo de mercado.

Normalmente são dias icônicos, que acabam entrando para história do mercado financeiro pela forma com que os fatos se desenrolam no decorrer do dia e pelo tamanho do estrago que costumam causar.

Ontem, 10 de novembro, foi mais um desses dias. O EWZ, ETF que mede a variação da bolsa brasileira em dólar, caiu 6,53%, enquanto as bolsas americanas experimentavam uma forte alta.

Ao passo que a bolsa brasileira derretia, os contratos de juros futuros disparavam em uma clara sinalização de que o mercado havia mudado sua perspectiva em relação à responsabilidade fiscal do novo governo.

Essa sucessão de eventos que desestabilizou os indicadores foi carinhosamente apelidada pelo mercado de “Boa Sorte Day”, numa referência à declaração do ex-ministro e apoiador do novo governo Lula Henrique Meirelles, que, enquanto o mercado pegava fogo, disse em um evento fechado para investidores que Lula havia “Dilmado” e desejou boa sorte aos investidores.

Oscilação do EWZ desde a primeira eleição de Lula (2002) até o “Boa Sorte Day”, em 10 de novembro.

A amplitude do Boa Sorte Day foi quase tão grande quanto o pico da Covid e maior do que a crise subprime de 2008, certamente um dia que todos nós no mercado nos lembraremos.

Mas eu não me preocuparia tanto com a bolsa. Ela é volátil por natureza e, se existe algo em comum entre todos esses dias icônicos, é que todos aqueles que compraram bolsa nesses momentos de forte estresse ganharam bastante dinheiro. Já os que saíram no desespero provavelmente jamais irão recuperar as perdas….

Vida que segue, o mercado é assim!

O ponto que eu considero mais importante no “Boa Sorte Day” foi abertura dos juros futuros. Hoje, 11 de novembro, a bolsa já recuperou boa parte das perdas de ontem, mas os juros futuros continuam pressionados.

Comportamento de alguns índices no intervalo de uma semana até 10 de novembro.

Para entender o que está por trás desse movimento, você, caro leitor, precisa entender os pontos muito importantes que descrevo abaixo.

1 – O tão falado “mercado” nada mais é do que você, eu, e todos aqueles que poupam parte do que ganham para investir. Somos nós que compramos os títulos disponíveis nos bancos e corretoras e queremos sempre o maior nível de retorno correndo o menor risco possível.

2 – Quando um governo resolve gastar mais do que arrecada, ele emite títulos de dívida que são ofertados ao mercado (nós). Assim, quando nós investimos dinheiro em títulos públicos, estamos emprestando nosso dinheiro para o governo gastar como quiser em troca de recebermos juros.

3 – Se um governo que ainda nem começou já dá sinais de que fará gastos de forma irresponsável, furando o teto de gastos, nada mais natural do que aqueles que compram essa dívida exigirem receber juros mais altos. Afinal, se o risco de quem emite a dívida aumenta o retorno de quem empresta, o dinheiro deveria aumentar também.

Esses são os três pontos chave para se entender o impacto do Boa Sorte Day na renda fixa, e o recado do mercado foi claro: não aceitaremos financiar a dívida de um governo fiscalmente irresponsável nos níveis atuais de juros. O risco fiscal aumentou e por isso exigimos retornos maiores.

Sendo assim, o que esperar do futuro?

Se para o Brasil enquanto nação esse cenário não é dos mais animadores e, na prática, signifique que continuaremos condenados ao subdesenvolvimento, para quem tem capacidade de gerar caixa e investir, o cenário não é tão ruim quanto parece. Pelo contrário!

Devido à mágica dos juros compostos, qualquer investimento que retorne 15% ao ano dobra o capital investido em apenas cinco anos.

Hoje, já temos títulos de renda fixa pagando quase 16% ao ano, e se o populismo fiscal do novo governo se confirmar, talvez tenhamos taxas ainda maiores, o que significa que existe uma boa chance de termos uma excelente janela de multiplicação de capital em renda fixa e multimercados logo à frente!

Sua carteira está preparada para capturar esse movimento?

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